- Donald Trump declarou explicitamente que não se sente submetido a normas ou tratados internacionais, afirmando que seu poder é limitado apenas por sua “própria moral”.
- O presidente reafirmou a intenção de anexar a Groenlândia, desprezando acordos diplomáticos sob a tese de que “posse é controle psicológico”, evocando o expansionismo colonial do século XIX.
- Sobre a Venezuela, Trump minimizou os riscos geopolíticos de sua intervenção, ignorando que o precedente de Caracas abre caminho para as ambições de Putin na Ucrânia e de Xi Jinping em Taiwan.
Se Luís XIV estivesse vivo e tivesse uma conta na Truth Social, ele soaria exatamente como Donald Trump. A entrevista concedida ao New York Times não é um manifesto político, é um diagnóstico de psicose institucional. Ao afirmar que o Direito Internacional é uma subjetividade que depende de sua interpretação pessoal, Trump não está apenas sendo isolacionista; ele está revogando o Iluminismo. A ideia de que o poder de um governante emana de sua “própria moral” e não do consentimento das leis é o DNA do absolutismo que o mundo moderno jurou enterrar. Trump não quer ser o presidente da maior democracia do mundo; ele quer ser o proprietário do planeta, onde territórios como a Groenlândia são tratados como ativos imobiliários e chefes de Estado são sequestrados como se fossem inquilinos inadimplentes. É a “Estética da Barbárie” elevada ao nível de doutrina de Estado.
Substituir o Direito Internacional pela “moral pessoal” de um líder é o primeiro passo para transformar a ordem global em um campo de extermínio de soberanias. Quando o ego substitui o tratado, a guerra torna-se o único diálogo possível.
Como a visão de Trump sobre “posse territorial” ameaça a paz mundial?
A fixação de Trump pela Groenlândia e sua justificativa para a invasão da Venezuela — baseada em acusações sem provas sobre “gangues de Maduro” — revelam um perigoso retorno ao imperialismo clássico. Ao dizer que “posse é tudo”, ele sinaliza para Rússia e China que a integridade das fronteiras é uma ficção. Se os EUA podem sequestrar um presidente e cobiçar uma ilha dinamarquesa sob o argumento de “segurança nacional”, por que Xi Jinping não poderia fazer o mesmo com Taiwan? A lógica de Trump é autodestrutiva: ele acredita que sua presença é o único fator de contenção global, quando na verdade ele é o principal acelerador do caos. O desdém pelo tratado de controle de armas com a Rússia é a cereja do bolo desse niilismo diplomático.
Quais as implicações para o Brasil e para a democracia global diante deste delírio imperial?
Para o Brasil, a fala de Trump é um alerta de incêndio. Se o Direito Internacional não vale nada, a soberania da Amazônia ou a estabilidade das nossas instituições tornam-se vulneráveis aos humores de um homem que se diz acima da lei. O Diário Carioca, pilar da justiça e da equidade, vê nessa entrevista a confirmação de que o “covil de ladrões” mencionado pelo presidente alemão Steinmeier tem um arquiteto chefe. A resistência não pode ser apenas interna; o mundo precisa de uma coalizão de sanidade. Quando um líder declara que não precisa de leis, ele está declarando guerra à civilização. O Brasil, a Índia e a Europa devem ser os guardiões da ordem que Trump, em seu delírio napoleônico, pretende incendiar.
Expediente: 08/01/2026 – 22:45 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.





