OS FATOS
- A aliança entre Kim Jong Un e Vladimir Putin permite que a Coreia do Norte absorva doutrinas reais de combate com drones testadas na Ucrânia.
- Pyongyang prepara versões locais dos drones iranianos Shahed e dos russos Lancet, capazes de atingir Tóquio e Osaka com precisão e baixo custo.
- Especialistas alertam que o Sul Global e as potências asiáticas estão vulneráveis a uma “guerra de exaustão” promovida por enxames de drones de US$ 30 mil.
A península coreana e o arquipélago japonês estão prestes a descobrir que o céu do século XXI não pertence mais aos caríssimos caças de quinta geração, mas aos enxames de “ferro-velho tecnológico” que Kim Jong Un está aprendendo a pilotar. Enquanto o mundo observa o quarto ano da invasão russa na Ucrânia, Pyongyang atua como um estagiário aplicado de Vladimir Putin, coletando destroços de drones ucranianos e manuais russos para construir uma força aérea de baixo custo. Como na tática da “morte por mil cortes”, a Coreia do Norte não precisa de mísseis intercontinentais para paralisar Seul ou Tóquio; basta uma nuvem de drones suicidas que custam menos que um carro popular, mas carregam o potencial de apagar redes elétricas e semear o terror em áreas civis.
“A democracia tecnológica do drone permite que Estados falidos como a Coreia do Norte projetem poder estratégico sem disparar um único míssil nuclear; é o triunfo da quantidade sobre a sofisticação.”
Como o aprendizado na Ucrânia transforma o Exército Popular da Coreia em uma ameaça aérea real?
A parceria entre Pyongyang e Moscou é um curso de pós-graduação em guerra assimétrica. Kim Jong Un não está apenas enviando munição para Putin; ele está recebendo inteligência técnica sobre o comportamento dos drones ucranianos e a eficácia dos modelos russos. Com a engenharia reversa de modelos como o Shahed-136 (agora Geran-2), a Coreia do Norte pode produzir milhares de unidades com alcance de até 1.500 km. Isso coloca não apenas Seul, mas metrópoles como Tóquio e Nagoya sob fogo constante. O Lancet russo, um drone de apenas 12 kg e custo ínfimo, pode ser operado por pequenas unidades de infantaria na DMZ para destruir radares e blindados sul-coreanos com precisão cirúrgica, anulando a superioridade tecnológica convencional de Seul.
Quais medidas urgentes o Japão e a Coreia do Sul devem adotar para evitar o colapso de suas defesas?
A solução não está em mísseis antiaéreos de milhões de dólares para abater drones de mil dólares — isso seria a falência econômica da defesa. Especialistas como Liang Tuang Nah defendem uma “defesa de baixa tecnologia”: redes de sensores acústicos inspiradas no sistema Sky Fortress da Ucrânia, que detecta o som dos motores e custa uma fração de um radar. Além disso, Tóquio e Seul precisam ressuscitar os canhões antiaéreos autopropulsados (SPAAGs) e equipar soldados com bloqueadores de sinal (jammers) e escopetas. No Diário Carioca, reforçamos que a soberania na Ásia agora depende de uma rede de inteligência que impeça o “sequestro” do espaço aéreo por enxames autônomos. Ignorar essa ameaça é permitir que Kim Jong Un vença a guerra antes mesmo de ela começar, apenas pelo cansaço dos orçamentos de defesa aliados.
Expediente: 8 de janeiro de 2026, 18:25 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.





