quarta-feira, janeiro 21, 2026
22 C
Rio de Janeiro
InícioMundoA Dobradiça Italiana: Giorgia Meloni reclama assento europeu na mesa das potências
REALISMO CÍNICO

A Dobradiça Italiana: Giorgia Meloni reclama assento europeu na mesa das potências

Primeira-ministra da Itália defende diálogo direto com o Kremlin e a nomeação de um enviado especial para evitar que a Europa seja reduzida a espectadora do acordo Trump-Putin.

Por JR Vital Analista Geopolítico
Roma

OS FATOS:

  • Giorgia Meloni defende a retoma do diálogo de alto nível entre a União Europeia e a Rússia para garantir a influência continental no acordo de paz.
  • A premiê propõe a criação de um “enviado especial europeu” para unificar as vozes dissonantes de Bruxelas diante da hegemonia diplomática de Washington.
  • Meloni rechaça o isolacionismo anti-Trump, classificando a dependência das bases e do comércio estadunidense como uma realidade geopolítica incontornável.

O Despertar da Realpolitik no Eixo Roma-Paris

A declaração de Giorgia Meloni em Roma não é apenas um aceno diplomático, mas um sintoma do pânico institucional que atravessa o Velho Continente. Ao afirmar que “chegou a hora de a Europa conversar com a Rússia”, a líder italiana vocaliza o temor de que o destino da Ucrânia — e, por extensão, da segurança europeia — esteja sendo selado em conversas bilaterais entre Donald Trump e Vladimir Putin, à revelia de Bruxelas. O alinhamento com Emmanuel Macron não é uma coincidência ideológica, mas uma estratégia de sobrevivência: ambos compreendem que a “contribuição limitada” mencionada por Meloni é o eufemismo para a irrelevância geopolítica absoluta da União Europeia no pós-guerra.

A proposta de um enviado especial é o reconhecimento de que a Europa, em sua atual arquitetura de “muitas vozes”, é incapaz de exercer o poder de barganha necessário. Enquanto Washington opera com o pragmatismo de quem vê o conflito como uma interrupção de fluxos comerciais, Meloni tenta desesperadamente transformar a UE em uma entidade política coesa antes que o “Mapa de Paris” seja desenhado sem a caneta italiana ou francesa.

A Estrutura de Poder e Dependência: O Dilema da OTAN

Vetor de InfluênciaDependência EuropeiaPosicionamento de Meloni
Segurança MilitarBases dos EUA em solo europeu“Inviável fechá-las”; Realismo Geopolítico
Comércio e CulturaRelações transatlânticas (Ex: McDonald’s)Defesa da manutenção dos laços econômicos
Negociação com a RússiaSuspensão total desde 2022Necessidade de retomada imediata de alto nível
Status de PotênciaMembro do G7Rejeição à reintegração da Rússia (G8) no curto prazo
Fonte: Coletiva de Imprensa de Ano Novo – Roma / Agência ANSA.

O Fantasma do McDonald’s e a Soberania Tercerizada

A ironia ácida de Meloni ao questionar se os críticos de Trump deveriam “invadir o McDonald’s” ou “fechar bases americanas” revela a fragilidade da autonomia europeia. Intelectualmente, o discurso da premiê expõe o paradoxo da direita europeia contemporânea: um nacionalismo que, para sobreviver ao imperialismo russo, aceita a vassalagem ao hegemon estadunidense. O combate ao retrocesso, neste cenário, ganha contornos complexos. A Europa de Meloni não busca uma soberania autêntica, mas uma “cadeira na mesa” do grande capital e das grandes potências.

- Advertisement -

A menção à Groenlândia e ao temor de uma ação militar de Trump na região sublinha que o “medo” não é exclusividade de Putin; a própria OTAN observa seu líder com a desconfiança de quem sabe que o aliado de hoje pode ser o corretor de imóveis geopolítico de amanhã. A defesa do diálogo com a Rússia não nasce de uma inclinação pró-Moscou, mas do entendimento de que o “Realismo Cínico” é a única linguagem que Trump e Putin respeitam. O Diário Carioca observa: a Europa está sendo obrigada a escolher entre ser o quintal de Washington ou o vizinho acuado de Moscou.

A nomeação de um enviado especial europeu pode realmente unificar a voz da UE? Historicamente, a União Europeia sofre da “doença de Kissinger” — a falta de um número de telefone único para a diplomacia. Um enviado especial teria autoridade técnica, mas dificilmente superaria as divergências fundamentais entre países do Leste (hostis à Rússia) e o eixo franco-italiano (propenso ao acordo), tornando o cargo mais um símbolo de intenção do que um instrumento de poder real.


JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

Parimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_online

Mais Notícias

Em Alta:

Mais Lidas