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Maluco, não doido

Donald Trump rejeita sequestrar Putin e aposta no pragmatismo das autocracias

O mandatário estadunidense reafirma laços com o Kremlin, minimiza punições e projeta Washington como o único eixo de medo capaz de dobrar Moscou em um acordo de paz.

Por JR Vital Analista Geopolítico
Washington

OS FATOS:

  • Donald Trump descartou publicamente qualquer operação militar para capturar Vladimir Putin, citando uma “ótima relação” histórica com o líder russo.
  • O presidente dos EUA alega que a economia russa está em colapso e que Moscou teme exclusivamente o poder de Washington, ignorando a relevância da liderança europeia.
  • Negociações paralelas ocorrem em Paris para alinhar um acordo entre EUA e Ucrânia antes de uma submissão formal aos termos do Kremlin.

O Eixo de Washington: Entre a Captura Recusada e a Paz Sob Medida

O cenário geopolítico de 2026 assiste a uma reedição do personalismo diplomático que flerta com o perigoso desmonte do direito internacional. Ao afirmar que “não acha necessário” capturar Vladimir Putin, Donald Trump não apenas ignora ordens de tribunais internacionais, mas estabelece uma diplomacia de compadrio que subverte a ordem de segurança do pós-guerra. O uso de termos como “ótimo relacionamento” para descrever o vínculo com o artífice da invasão à Ucrânia é o ápice do cinismo imperialista, onde a soberania de nações menores é sacrificada no altar de um acordo de paz desenhado sob a ótica da conveniência econômica e energética.

O desdém de Trump pela Europa — afirmando que Putin “tem medo dos EUA liderados por mim” — é uma manifestação clássica do isolacionismo agressivo. Ao tentar esvaziar o papel da coalizão europeia, Washington busca o monopólio da narrativa de paz, transformando o conflito ucraniano em um tabuleiro de xadrez onde apenas duas potências definem o xeque-mate. O paralelo histórico é inevitável: assim como em Yalta, as periferias do poder observam, em Paris, as grandes potências retalharem zonas de influência sob o verniz de um cessar-fogo humanitário.

Geopolítica do Conflito: O Custo da Inércia e a Pressão Econômica

Indicador de PressãoEstimativa Citada (Janeiro 2026)Status Declarado por Washington
Baixas Militares (Último Mês)~31.000 mortes (estimativa Trump)Fator de desgaste crítico para o Kremlin
Saúde da Economia Russa“Em má situação”Alavanca para aceitação de termos dos EUA
Relação Bilateral EUA-Rússia“Ótimo Relacionamento”Canal de negociação direta via cúpula
Mediação InternacionalCúpula em ParisWashington como único interlocutor de peso
Fonte: Transcrição de Reunião com Setor Petrolífero / Dados Citados pela Casa Branca.

A Paz dos Cemitérios e a Soberania das Commodities

A pressa de Trump em “resolver isso” durante uma reunião com executivos do setor petrolífero é reveladora. O conflito no Leste Europeu não é lido pelo Salão Oval como uma crise de direitos humanos ou um enfrentamento ao fascismo, mas como uma interrupção incômoda no fluxo global de energia. O interesse em capturar Putin — ou a falta dele — está intrinsecamente ligado ao valor do barril e à estabilização de mercados que financiam a hegemonia estadunidense.

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O combate ao retrocesso, neste contexto, exige denunciar que uma paz sem justiça, onde o agressor é poupado pela “amizade” do mediador, é apenas uma trégua para a próxima invasão. Se Putin não teme a Europa, é porque Washington sinaliza que as fronteiras são elásticas quando o “relacionamento” entre líderes sobrepõe-se à moralidade das leis. O Diário Carioca mantém-se vigilante: a soberania da Ucrânia não pode ser a moeda de troca para o conforto político de uma administração que vê na guerra apenas um obstáculo ao lucro.

Por que a reunião com executivos do petróleo foi o palco escolhido para esta declaração?

A escolha não é fortuita; a estabilização da Ucrânia é a chave para a reconfiguração das rotas de gás e petróleo para a Europa. Ao sinalizar a Putin que não haverá perseguição pessoal, Trump busca acelerar o fim das sanções energéticas, permitindo que o setor petrolífero retome operações de larga escala sob a nova ordem de paz americana.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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