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Ártico em Disputa

China acusa Washington de instrumentalizar nações para legitimar a cobiça sobre a Groenlândia

Por JR Vital Analista Geopolítico

A disputa pela Groenlândia reabre um capítulo antigo do expansionismo norte-americano: a conversão de geografias estratégicas em “ativos” a serem apropriados sob o pretexto da segurança.

Ao declarar que precisa “ficar” com a ilha para barrar Rússia e China, Donald Trump ressuscita a doutrina do século XX que transformou o Caribe e a América Central em protetorados informais.

A resposta de Pequim, ao afirmar que o Ártico pertence à comunidade internacional, insere o debate numa chave civilizatória: quem define o futuro de uma região crucial para o clima, a ciência e as rotas globais — os povos que lá vivem ou as potências que a cobiçam?

OS FATOS:

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  • A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, declarou que os Estados Unidos devem parar de usar outros países como “desculpa” para seus próprios interesses estratégicos no Ártico.
  • Trump afirmou que Washington precisa controlar a Groenlândia para impedir avanços da Rússia ou da China e disse que, “de um jeito ou de outro”, os EUA “vão ficar” com o território.
  • Pequim sustentou que suas atividades no Ártico seguem o direito internacional e visam promover paz, estabilidade e desenvolvimento sustentável, respeitando a soberania alheia.

O xadrez polar e a retórica do medo

A Groenlândia, ilha autônoma sob soberania da Dinamarca, transformou-se no mais recente tabuleiro de uma Guerra Fria requentada. Trump voltou a falar em “acordo” — um eufemismo elegante para compra territorial — e comparou a proteção do território a “dois trenós puxados por cães”, imagem que mistura folclore colonial e desprezo estratégico. Copenhague, por sua vez, reafirma que a ilha não está à venda, enquanto a Casa Branca admite discutir cenários para uma aquisição que a própria legalidade internacional trata como anacrônica.

Pequim escolheu um registro mais técnico, porém não menos contundente: o Ártico, diz Mao Ning, envolve “os interesses gerais da comunidade internacional”. A mensagem é clara. Em uma região em que o degelo abre rotas marítimas e revela riquezas minerais, a pilhagem disfarçada de “segurança” ameaça tanto o equilíbrio geopolítico quanto o climático. O paralelo histórico é inevitável: assim como no século XIX o Ártico foi mapeado para servir às marinhas imperiais, no século XXI ele volta a ser disputado como cofre de recursos e corredor estratégico.

Cronologia e posições-chave

DataAtorDeclaração ou ação
12 jan. 2026Donald TrumpDiz que os EUA precisam controlar a Groenlândia para evitar avanços de Rússia e China e que “vão ficar” com a ilha.
12 jan. 2026Casa BrancaConfirma que a equipe presidencial discute como seria uma possível compra do território.
12 jan. 2026Mao Ning (China)Afirma que o Ártico é de interesse da comunidade internacional e que Washington usa terceiros como pretexto para seus objetivos.
12 jan. 2026Governo dinamarquêsReitera que a Groenlândia não está à venda.

A Groenlândia pode ser tratada como mercadoria em um mundo que proclama soberania e autodeterminação?

Tecnicamente, não. O direito internacional contemporâneo, ancorado na Carta da ONU e no princípio da autodeterminação dos povos, rejeita a transferência coercitiva ou a compra de territórios habitados sem o consentimento livre de sua população. Politicamente, porém, potências tentam reembalar velhas práticas coloniais em linguagem de segurança, o que torna a vigilância diplomática e a pressão multilateral instrumentos decisivos para impedir que o Ártico se converta em mais um capítulo de soberania ferida.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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