A democracia estadunidense, ou o que resta dela sob o regime de Donald Trump, acaba de sofrer um golpe que ecoa nos porões das ditaduras mais abjetas. Nesta quarta-feira (14), agentes do FBI violaram o domicílio da repórter Hannah Natanson, do Washington Post, em uma ação de busca e apreensão que ignora décadas de jurisprudência e a Lei de Proteção à Privacidade de 1980. O crime de Natanson? Exercer o jornalismo de excelência ao revelar as entranhas do plano de Trump para aparelhar o Estado, demitindo servidores de carreira para dar lugar a militantes leais à sua agenda autoritária.
Embora o FBI tente dourar a pílula afirmando que a jornalista não é o alvo, a apreensão de laptops, celulares e smartwatches entrega a verdadeira intenção: o Estado quer acesso às fontes. O pretexto é a investigação de Aurelio Perez-Lugones, um administrador de sistemas acusado de vazar documentos, mas a agressividade contra Natanson é um recado direto a todos os profissionais da mídia: no governo Trump, o sigilo de fonte é tratado como crime de Estado. A Procuradora-Geral Pam Bondi, agindo como uma espécie de comissária política do Pentágono, justificou a invasão como necessária para punir a “divulgação de informações confidenciais”, um eufemismo para a criminalização do furo de reportagem.
Os EUA abandonaram de vez o pedestal de “farol da liberdade”. O que se vê hoje em Washington é a aplicação prática de um regime que persegue quem ousa expor as vísceras do poder. A “Navalha Carioca” não hesita em traçar o paralelo: o país que por décadas criticou a censura alheia agora usa o FBI para silenciar o jornalismo investigativo dentro de casa. Se uma repórter do quilate de Natanson, protegida por um dos maiores jornais do mundo, tem sua casa invadida, o que resta para o jornalista independente? O efeito inibidor não é um efeito colateral; é o objetivo central de Trump.
A Anatomia da Perseguição Institucional
A operação contra Hannah Natanson revela a nova cartilha do Departamento de Justiça sob o comando de Pam Bondi:
| Elemento da Ação | Justificativa do Governo | Realidade Jornalística |
| Alvo da Busca | Hannah Natanson (Repórter). | Quebra violenta do sigilo de fonte. |
| Material Apreendido | Laptops, celular e smartwatch. | Todo o arquivo de trabalho da jornalista exposto. |
| O “Pretexto” | Vazamento de dados pelo Pentágono. | Tentativa de rastrear quem denuncia o expurgo federal. |
| Base Legal | Pedido do Pentágono via Procuradoria. | Violação direta da Primeira Emenda e da Lei de 1980. |
| Efeito Esperado | “Proteger a segurança nacional”. | Intimidar servidores e jornalistas que criticam Trump. |
“Mundo Livre”
O FBI na porta de uma jornalista do Washington Post é o som das correntes sendo ajustadas na estátua da liberdade. Trump não quer apenas reestruturar o funcionalismo; ele quer reestruturar a verdade. Hannah Natanson estava dando voz aos “purgados”, aos funcionários que resistem ao desmonte dos serviços públicos. Ao invadir sua casa, o governo envia um memorando ensanguentado a todos os informantes: “Nós vamos descobrir quem vocês são”.
Jameel Jaffer, da Columbia, está certo ao falar em “efeito inibidor”, mas a “Navalha Carioca” vai além: trata-se de um sequestro do direito à informação. Quando o Estado decide que o segredo de seus abusos vale mais que a liberdade de quem os revela, a democracia já foi enterrada sem honras militares. O governo Trump agora opera como um sindicato do crime institucionalizado, onde a única “segurança nacional” protegida é a manutenção do poder sem questionamentos.





