A história americana decidiu rir no rosto dos otimistas. No crepúsculo da democracia sob Donald Trump, Minneapolis e Filadélfia tornaram-se os novos palcos de uma tragédia que o FBI de J. Edgar Hoover acreditava ter enterrado nos anos 70.
O estopim foi o corpo tombado de Renee Nicole Good, uma mulher de 37 anos, executada a tiros pelo agente federal Jonathan Ross, do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega).
Renee Good não era uma estatística; era o símbolo da falência do pacto social. Sua morte, ocorrida sob a luz do dia, foi prontamente blindada pela retórica fascista da Casa Branca.
JD Vance, o vice-presidente que se especializou em ser o porta-voz do autoritarismo, apressou-se em garantir que Ross goza de “imunidade absoluta”. Segundo Vance, matar Renee foi apenas “fazer o trabalho”.
O trabalho do Estado, ao que parece, é o abate. E onde o Estado abate, a comunidade se arma. Na Filadélfia, o Black Panther Party for Self-Defense (Partido dos Panteras Negras para Autodefesa) ressurgiu das cinzas históricas, portando fuzis e servindo sopa.
A imagem é de um anacronismo brutal: homens fardados com armamento militar guardando pontos de distribuição de alimentos, protegendo crianças e idosos de um governo que veem como um exército de ocupação.
Quem é Paul Birdsong e por que ele porta um fuzil?
Para entender o que ocorre na Pensilvânia, é preciso olhar para Paul Birdsong. Aos 39 anos, Birdsong não é apenas um manifestante; ele é o presidente nacional desta retomada dos Panteras Negras.
Ele não caiu de paraquedas no ativismo. Birdsong lidera há anos distribuições de alimentos no norte da Filadélfia, ocupando agora um imóvel histórico que serviu aos Panteras originais nos anos 60.
Sua figura é o pesadelo do establishment republicano. Ele articula a autodefesa armada com o pragmatismo da assistência social. “Ninguém teria sido tocado se estivéssemos lá”, afirma Birdsong sobre a morte de Renee.
Ele personifica a transição da esperança institucional para a proteção comunitária tangível. Sua legitimidade vem da fome saciada de vizinhos e da segurança que as patrulhas federais de Trump não oferecem.
O fantasma de Fred Hampton ronda a Casa Branca
O ressurgimento dos Panteras não é um evento isolado, mas uma reação alérgica ao “mimimi” autoritário de Donald Trump.
O atual presidente americano, que sempre flertou com a supremacia branca, transformou agências como o ICE em milícias pessoais para caçar minorias sob o pretexto da segurança nacional. É o mesmo roteiro do COINTELPRO de Hoover, mas agora transmitido em 4K pelas redes sociais.
A ironia é pedagógica: Trump clama por “lei e ordem” enquanto desmantela a lei para proteger seus carrascos. O vice JD Vance, ao falar em “imunidade absoluta”, assina o atestado de óbito da justiça imparcial.
Se um agente federal pode matar sem consequências, a Constituição é apenas um papel pardo. Os Panteras Negras da Filadélfia, orientados por veteranos das décadas de 60 e 70, entenderam que no jogo de Trump, o único direito respeitado é o que está carregado no pente de um fuzil.
Abaixo, o contraste visceral entre a propaganda estatal e a realidade das ruas sob o regime Trump.
| Elemento de Conflito | Versão da Casa Branca (Trump/Vance) | Realidade dos Panteras Negras | Diagnóstico do Diário Carioca |
| Agente Jonathan Ross | Herói cumprindo o dever com imunidade. | Executor de uma mulher desarmada. | O Estado santifica o carrasco para oprimir a base. |
| ICE Patrol | Proteção da fronteira e segurança interna. | Milícia federal em território doméstico. | Militarização do cotidiano contra cidadãos negros. |
| Autodefesa Armada | Ameaça terrorista e caos civil. | Resposta legal (2ª Emenda) à violência estatal. | Quando a polícia mata, o fuzil do povo vira escudo. |
| Apoio Comunitário | Assistencialismo perigoso e subversivo. | Sopa, pão e higiene para quem o Estado ignora. | O pão que incomoda o poder porque revela o descaso. |
Lista de Contrastes da Era Trump 2026
- Imunidade vs. Responsabilidade: Agentes federais matam com licença oficial; Panteras patrulham sob o risco da repressão total.
- Sopa vs. Gás Lacrimogêneo: O grupo de Birdsong alimenta a vizinhança enquanto o governo envia tropas para Minneapolis.
- Segunda Emenda Seletiva: Trump defende armas para supremacistas, mas chama de “terroristas” os negros que as usam para autodefesa.
A análise é inevitável: os Estados Unidos flertam com o abismo. O ressurgimento dos Panteras Negras é o sintoma final de uma democracia infectada pelo fascismo de Trump.
Quando a sopa precisa ser guardada por fuzis, é porque o Estado já morreu e apenas esqueceu de cair. Birdsong e seu grupo não são a causa da desordem; são o reflexo armado de um governo que escolheu o sangue como método de gestão.
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