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O Líder e o Vassalo

O silêncio da inveja: Lula é aclamado no Mercosul sob o olhar invejoso e sombrio de Milei

Por JR Vital Analista Geopolítico

A diplomacia tem dessas ironias que apenas o tempo e a estatura política são capazes de desenhar. Neste sábado, o Gran Teatro José Asunción Flores, em Assunção, não foi apenas o palco da assinatura do histórico acordo entre o Mercosul e a União Europeia; foi o cenário da consagração de uma liderança que nem precisou estar presente para ser sentida. Enquanto o presidente paraguaio Santiago Peña discursava, o nome de Luiz Inácio Lula da Silva ecoou como o verdadeiro arquiteto da integração. O auditório, em um movimento orgânico de reverência, levantou-se em aplausos prolongados, reconhecendo no líder brasileiro o capital político que destravou 26 anos de inércia.

Contudo, a harmonia internacional encontrou um ponto de dissonância quase caricato. No centro da mesa, Javier Milei, o presidente argentino que flerta com o anacronismo, ofereceu ao mundo um espetáculo de mesquinharia. Enquanto autoridades do quilate de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, do Conselho Europeu, aplaudiam de pé a importância de Lula, Milei permaneceu petrificado. De mãos apoiadas sobre a mesa, o mandatário argentino escolheu o isolamento da cadeira para demonstrar que seu dogmatismo ideológico é maior que o decoro republicano.

O contraste não poderia ser mais didático. De um lado, o multilateralismo pragmático de Lula, representado pelo chanceler Mauro Vieira; do outro, o rancor de quem ainda não compreendeu que o comércio internacional não se faz com gritos de rede social, mas com a construção de confiança. Santiago Peña, um anfitrião perspicaz, não hesitou em citar Lula como a peça decisiva para que a maior área de livre comércio do mundo saísse do papel. Cada menção ao brasileiro era um novo golpe na liturgia isolacionista que Milei tenta, sem sucesso, exportar para o bloco.

O abismo entre o estadismo e o ressentimento

  • Reconhecimento vs. Negação: A Europa e o Paraguai se curvam ao papel de Lula; Milei prefere a paralisia, ignorando que a Argentina depende desse acordo tanto quanto seus vizinhos.
  • Presença Simbólica vs. Ausência Política: Lula, de Brasília, governa a narrativa internacional; Milei, em Assunção, reduz-se à condição de espectador ranzinza.
  • União vs. Fragmentação: O aplauso de pé simboliza o desejo de um continente integrado; o silêncio de Milei é o último suspiro de um projeto que tenta fragmentar o que a história uniu.

A imprensa argentina, liderada pelo Clarín, não tardou a destacar o descompasso. Milei, que já tentou emular a estética agressiva do golpista Jair Bolsonaro, parece herdar do brasileiro também a incapacidade de conviver com o brilho alheio. O golpista brasileiro, hoje recolhido à mediocridade do seu destino jurídico, também via na diplomacia um campo de batalha para ofensas pessoais. Milei repete o roteiro, esquecendo-se de que, na mesa da ONU e no Parlamento Europeu, o que vale é a capacidade de gerar prosperidade, não a habilidade de sustentar birras ideológicas em eventos oficiais.

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Abaixo, os protagonistas e os pesos políticos que definiram o clima da cerimônia em Assunção.

Autoridade PresenteReação à Menção de LulaSignificado Diplomático
Santiago Peña (Paraguai)Liderou os elogios decisivos.Afirmação do Paraguai como aliado estratégico do Brasil.
Ursula von der Leyen (UE)Aplaudia de pé com entusiasmo.Selo de aprovação da Europa à liderança de Lula no clima e comércio.
António Costa (Conselho Europeu)Acompanhou a ovação.Fortalecimento do eixo luso-brasileiro na condução do pacto.
Javier Milei (Argentina)Permaneceu sentado e imóvel.Isolamento diplomático e desgaste da imagem argentina no bloco.

A ausência de Lula na cerimônia foi, paradoxalmente, sua maior demonstração de força. Ele permitiu que o reconhecimento fosse genuíno e partisse de seus pares, sem a necessidade da autoexaltação comum aos tiranetes de ocasião. O Brasil, sob Lula, não precisa mendigar aplausos; eles surgem naturalmente como subproduto de um Itamaraty que voltou a falar a língua da razão. Milei, ao recusar-se a levantar, apenas confirmou que sua estatura política é inversamente proporcional à magnitude do acordo que ele mesmo assinou.

O Diário Carioca observa que a história é feita por aqueles que constroem, não por aqueles que apenas ocupam cadeiras. O aplauso a Lula em Assunção é o som de uma América Latina que deseja o futuro, enquanto o silêncio de Milei é o eco de um passado que a região luta para superar. O acordo Mercosul-UE é a vitória do diálogo sobre o grito, e o fato de Lula ser o maestro desse processo, mesmo à distância, é a prova definitiva de que o Brasil recuperou sua dignidade soberana perante o mundo.

Foram citados nesta notícia: Luiz Inácio Lula da Silva, Javier Milei, Santiago Peña, Ursula von der Leyen, António Costa, Mauro Vieira, Comissão Europeia, Conselho Europeu, Mercosul, Itamaraty.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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