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Coturnos no gelo: Regime de Trump mobiliza o exército contra o próprio povo e ressuscita lei de 1807

Por JR Vital Analista Geopolítico

A democracia americana, aquela que Roger Waters define como um balcão de negócios, acaba de ganhar um novo adereço: o cano de um fuzil apontado para o peito de seus próprios cidadãos. Neste domingo, o Pentágono confirmou que 1,5 mil soldados da 11ª Divisão Aerotransportada — especialistas em guerra no frio — estão de prontidão para marchar sobre Minnesota.

O motivo? Donald Trump flerta abertamente com a Lei da Insurreição, uma relíquia autoritária de 1807, para calar o luto de uma comunidade que não aceita o assassinato de Renee Nicole Good. A poetisa e cidadã americana de 37 anos foi executada por agentes do ICE (Serviço de Imigração) em plena manifestação, provando que, sob o atual regime, a cidadania é um escudo de papel diante da farda.

Trump, que utiliza a rede Truth Social como seu diário de bordo absolutista, acusa as autoridades locais de “incapacidade” para proteger seus agentes de imigração. Na prática, o presidente tenta transformar um estado soberano da federação em um território ocupado, atropelando o governador Tim Walz e a própria Constituição.

A mobilização de tropas federais para funções policiais é um desafio direto à Lei Posse Comitatus, mas para um líder que afirma “nós podemos tudo” enquanto tenta comprar a Groenlândia e leiloar assentos em conselhos da paz, a legalidade é apenas um detalhe que seus advogados tentarão contornar.

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A lei de 1807 contra o direito de 2026

A invocação da Lei da Insurreição é o “botão nuclear” da política interna. Historicamente usada para combater a Ku Klux Klan ou conter distúrbios civis massivos, ela ressurge agora não para proteger minorias, mas para blindar o braço armado do Estado contra a indignação popular.

O cenário em Minneapolis e St. Paul é de um barril de pólvora: de um lado, a juíza federal Kate Menendez tenta impor limites ao uso de gás lacrimogêneo e prisões arbitrárias; do outro, o Marine One de Trump sobrevoa a crise com a promessa de uma intervenção militar que ignora o pacto federativo.

A escalada do autoritarismo doméstico

  • A Prontidão: 1,5 mil soldados da infantaria do Alasca aguardam a ordem de deslocamento.
  • O Gatilho: A morte de Renee Good, uma cidadã baleada pelo ICE, que gerou revolta nacional.
  • A Chantagem: Trump usa a ameaça militar para dobrar governadores “recalcitrantes” que questionam suas operações de imigração.
  • O Conflito Jurídico: Minnesota processa o governo federal por violações constitucionais flagrantes.

O espelho da Groenlândia no quintal de casa

Não é coincidência que Trump mobilize tropas no Alasca ao mesmo tempo em que ameaça a Dinamarca por causa da Groenlândia. A mentalidade é a mesma: o uso da força militar como ferramenta primária de negociação.

Se no Ártico ele quer recursos minerais, em Minnesota ele quer a submissão ideológica. A “segurança nacional” tornou-se o guarda-chuva retórico para qualquer arbitrariedade, seja anexar uma ilha ou sitiar uma cidade americana. O governador Tim Walz, ao colocar a Guarda Nacional de sobreaviso, tenta evitar o pior, mas sabe que, contra a canetada de um presidente que se sente um monarca, o federalismo americano está na UTI.

Abaixo, a linha de frente de um conflito que pode redefinir o conceito de “democracia” nos EUA.

Ator PolíticoPosição na CriseAção Imediata
Donald TrumpDefensor da Lei da Insurreição.Põe exército em prontidão e ameaça intervenção direta.
Pentágono“Planejamento Prudente”.Mobiliza 1,5 mil soldados da 11ª Divisão Aerotransportada.
Tim Walz (Gov. MN)Defensor da autonomia estadual.Aciona a Justiça contra o governo federal e mobiliza Guarda Nacional.
Kate Menendez (Juíza)Garantista constitucional.Proíbe uso de táticas de guerra contra civis pacíficos.

O que estamos presenciando em Minnesota é o laboratório de um novo tipo de gestão pública, onde a dissidência é tratada como insurgência e o luto como crime. Se Trump cruzar a linha e enviar o exército para as ruas de Minneapolis, ele não estará apenas “restaurando a ordem”, mas confirmando o vaticínio de Roger Waters: a democracia americana é uma carcaça vazia, onde o poder emana do fuzil e não do povo.

Renee Good, morta por um Estado que esqueceu sua função, tornou-se o símbolo de um país que prefere enviar soldados ao diálogo e leis de 1807 à justiça de 2026.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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