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Xadrez Obscuro

Hugo Motta e o Novo Pragmatismo do Centrão: O Xadrez do PP para 2026 e a Sucessão de Lira

Por JR Vital Analista Geopolítico

O Desapego Estratégico

O Centrão não tem amigos; tem interesses. A ascensão de Hugo Motta à presidência da Câmara dos Deputados consolida a ideia de que o bloco é maior que seus líderes, mantendo o poder informal do Legislativo no ápice da política nacional.

Motta herda o legado de poder estabelecido por Arthur Lira e, com ele, a missão de conduzir o bloco para a próxima grande negociação: a eleição de 2026.

Após o divórcio com Jair Bolsonaro – consolidado com o fim do Orçamento Secreto e a prisão do ex-presidente –, o Centrão já se move, de forma fria e calculista, para garantir um nome na chapa de 2026 que seja palatável à direita, mas que garanta a continuidade do esquema de poder do Centrão. O nome de Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP) surge como o ponto central desse xadrez.

Tarcísio de Freitas - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Tarcísio de Freitas – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Legado Lira e o Continuísmo Motta

Arthur Lira elevou o conceito de governabilidade transacional a um novo patamar, transformando a Presidência da Câmara em um centro de poder quase superior ao Planalto. A gestão de Lira consolidou o controle do Orçamento e o poder de pauta como as maiores armas do Centrão.

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Hugo Motta não representa uma ruptura, mas sim a continuação institucional do modelo de poder do bloco. Seu mandato é manter a hegemonia legislativa e o acesso ininterrupto aos recursos federais.

A Institucionalização do Toma Lá, Dá Cá

O poder do Centrão sob Motta continua garantido por:

  1. Poder de Pauta: O controle sobre a agenda da Câmara permite transformar o ritmo de votações em uma ferramenta de pressão diária sobre o Planalto, essencial para forçar concessões.
  2. Controle de Cargos: O PP e o Republicanos mantêm influência sobre órgãos chave como a FUNASA e, crucialmente, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), essenciais para a distribuição de verbas regionais.

A força do novo presidente reside em sua lealdade ao bloco e na capacidade de entregar a maioria legislativa em troca do acesso ao cofre.

Hugo Motta e Arthur Lira na reunião do Colégio de Líderes
Hugo Motta e Arthur Lira na reunião do Colégio de Líderes

O Xadrez para 2026: A Busca pelo Vice

A verdadeira jogada de mestre do Centrão para 2026 é se descolar do bolsonarismo mais radical e se posicionar no centro da direita moderada. O objetivo não é necessariamente lançar um candidato à Presidência, mas sim emplacar o Vice ou negociar uma fatia inquestionável do governo eleito.

Tarcísio de Freitas e o Pragmatismo do Republicanos

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apesar de ter sido lançado por Bolsonaro, pertence ao Republicanos, um partido firmemente ancorado no Centrão.

A estratégia de Motta e do Centrão é dupla:

  • Apoio ao Nome Forte: Se Tarcísio se consolidar como o nome da direita, o Centrão se unirá em torno dele.
  • Garantia do Acesso: O objetivo central é emplacar o Vice-Presidente ou controlar o maior número possível de ministérios e órgãos-chave, garantindo que o acesso ao Orçamento Federal não seja interrompido.

O Centrão, agora sob Motta, sabe que um presidente de seu DNA é muito menos propenso a lutar contra os mecanismos de emendas e nomeações de segundo escalão do que um “outsider” ideológico.


IV. O Futuro do Bloco: Maior que Seus Líderes

A transição de Arthur Lira para Hugo Motta apenas sublinha a tese central: o Centrão é maior que seus líderes. Ele é uma força estrutural da política brasileira.

O Compromisso Inabalável: O Dinheiro

O mandato de Motta e de seus sucessores será o mesmo: manter o Orçamento Federal como arma de negociação. Enquanto o sistema eleitoral e partidário permanecer fragmentado, o Centrão continuará sendo a instituição de estabilização mais importante do Congresso. Seu poder será inabalável, cobrando um alto preço em concessões, lentidão para reformas e o sacrifício da gestão técnica em favor da gestão política.


LEIA MAIS: A articulação para 2026 é apenas o capítulo mais recente de uma história de barganha de mais de 30 anos. Para a análise completa de como o bloco se tornou o freio estrutural da política, leia o Artigo Pilar do Diário Carioca: O Poder Inabalável do Centrão e a Ascensão da Direita Enrustida.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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