- Manifestantes se reuniram nesta quinta-feira (8), no Salão Nobre da Faculdade de Direito da USP, para celebrar o veto de Lula ao PL da Dosimetria e marcar os três anos da resistência ao golpe de 2023.
- O ex-deputado Douglas Garcia e o vereador Rubinho Nunes (ambos do União Brasil) infiltraram-se no evento para provocar os presentes, resultando em confrontos físicos, camisas rasgadas e relatos de agressões contra estudantes.
- O ato, organizado pelo grupo Prerrogativas, Centro Acadêmico XI de Agosto e PT, lançou um manifesto histórico que reafirma a punição aos golpistas como condição sine qua non para a pacificação do país.
As Arcadas do Largo de São Francisco, berço da resistência democrática e solo onde se leu a histórica “Carta aos Brasileiros”, foram hoje palco de um espetáculo deprimente de covardia política. Douglas Garcia e Rubinho Nunes, personificações do que há de mais abjeto na política paulista, tentaram mimetizar a tática das camisas-negras de Mussolini: invadir espaços de livre pensamento para semear o caos e a violência.
Ao subirem às galerias para filmar e provocar sob gritos de “fascista”, os parlamentares não buscavam o debate, mas o recorte para suas redes sociais de ódio. A agressão ao jovem Luiz Nicoletti é o retrato fiel dessa direita que, ao ver a anistia escorrer por entre os dedos com o veto presidencial, recorre ao único idioma que domina: a força bruta. O paralelo com a invasão da USP pela ditadura em 1968 é inevitável, mas desta vez, a democracia tem anticorpos e a história não será reescrita por quem tem o soco como argumento.
A extrema-direita não suporta o silêncio da lei e o barulho da justiça. Quando a impunidade lhes é negada pela caneta de Lula, eles tentam conquistá-la no grito e no empurrão dentro do templo do Direito.
O que significa a presença de agitadores bolsonaristas em um ato acadêmico contra a anistia?
Significa que o projeto de impunidade está em colapso. A tentativa desesperada de Douglas Garcia e Rubinho Nunes de tumultuar um evento que reunia intelectuais, artistas como Paulo Betti e lideranças históricas como José Genoíno, demonstra que o bolsonarismo perdeu a batalha das ideias. Eles entraram na Faculdade de Direito não como parlamentares, mas como agentes provocadores, esperando uma reação para posarem de vítimas. A omissão da polícia, que assistiu à pancadaria sem intervir, é um lembrete perigoso de que as instituições de segurança ainda precisam de uma “limpeza seletiva” para servir ao Estado, e não a milícias ideológicas.
Qual a importância do manifesto lido na USP para o atual cenário político brasileiro?
O documento assinado por Marco Aurélio de Carvalho, Pierpaolo Bottini e outras 40 entidades é o marco de que o 8 de Janeiro não é uma data de comemoração, mas de vigilância eterna. Ao clamarem “Sem Anistia”, os signatários blindam o Supremo Tribunal Federal e o governo contra a pressão de um Congresso que, sob o comando de figuras como Davi Alcolumbre, ainda tenta costurar saídas honrosas para criminosos. O Diário Carioca subscreve a tese: anistiar o golpismo é convidar o próximo tirano a bater à porta. A democracia brasileira sobreviveu ao bombardeio em Caracas e aos ataques em Brasília; não será um vereador em busca de cliques que irá derrubá-la nas escadarias da USP.
Expediente: 08/01/2026 – 22:30 | Edição: JR Vital (MTB 0037673/RJ). Siga o Diário Carioca: Instagram | X (Twitter) | Facebook.





