OS FATOS:
- Alexandre de Moraes proferiu uma média de 26 decisões diárias em 2025, totalizando quase 10 mil atos processuais em um único ano.
- O ministro Flávio Dino e Dias Toffoli ocupam, respectivamente, a segunda e a terceira posição no ranking de produtividade da Corte.
- O volume de trabalho de Moraes está intrinsecamente ligado à relatoria de inquéritos sobre os atos golpistas e à tentativa de ruptura democrática.
A Escrita da História sob a Toga: O STF como Trincheira
A estatística que coloca o ministro Alexandre de Moraes no topo da produtividade do Supremo Tribunal Federal pelo terceiro ano consecutivo não é um mero dado de eficiência burocrática; é a cronologia de uma resistência. Em um país que ainda cicatriza as feridas abertas pelo fascismo e pela tentativa de golpe atribuída a Jair Bolsonaro e seus acólitos, o gabinete de Moraes tornou-se o epicentro de uma arqueologia forense sem precedentes. As 9.590 decisões de 2025 são, em essência, o exercício da soberania jurídica contra o caos planejado.
Intelectualmente, a carga de trabalho de Moraes reflete o fenômeno da judicialização da política em um estado de exceção latente. Ao relatar processos de alta complexidade penal e constitucional, o magistrado não apenas despacha processos; ele delimita as fronteiras entre o livre debate e a conspiração contra as instituições. A eficiência, aqui, serve como um antídoto ao retrocesso: a lentidão judiciária seria o solo fértil para a impunidade dos que tentaram subverter o resultado das urnas.
Ranking de Produtividade: O Top 3 da Suprema Corte (2025)
| Posição | Ministro | Total de Decisões | Média Diária (Est.) |
| 1º | Alexandre de Moraes | 9.590 | 26,2 |
| 2º | Flávio Dino | 7.698 | 21,0 |
| 3º | Dias Toffoli | 7.306 | 20,0 |
| Geral | Outros Ministros | Médias variadas | – |
| Fonte: Dados consolidados do sistema processual do Supremo Tribunal Federal (STF). |
O Legado de 2017 e a Complexidade do Devido Processo
Desde que assumiu sua cadeira em 2017, Moraes transitou de um perfil técnico rigoroso para o papel de garantidor da ordem democrática em tempos de polarização extrema. O fato de superar colegas como Flávio Dino — egresso de uma carreira política e jurídica igualmente intensa — demonstra a magnitude dos inquéritos sob sua guarda. Não se trata apenas de quantidade, mas da natureza das decisões: medidas cautelares, quebras de sigilo e ações penais que exigem um rigor hermenêutico que impede qualquer margem para nulidades futuras.
O combate ao imperialismo das “fake news” e ao financiamento do terrorismo doméstico exige essa celeridade. No Diário Carioca, entendemos que a produtividade de Moraes é o reflexo de um Judiciário que foi obrigado a se hipertrofiar para conter o avanço das hordas antidemocráticas. Se a balança da justiça está mais pesada no gabinete de Moraes, é porque nela repousa o peso de um país que decidiu não sucumbir ao arbítrio de generais e autocratas de ocasião.
O alto volume de decisões monocráticas pode comprometer a colegialidade do STF?
Pelo contrário; em processos de alta complexidade e urgência, como os inquéritos de atos golpistas, as decisões monocráticas são ferramentas indispensáveis para a preservação de provas e a garantia da ordem. No sistema atual, a maioria dessas decisões é submetida ao Plenário Virtual ou Físico, reafirmando que a celeridade de Moraes é o motor que alimenta o consenso da Corte, e não um desvio de sua natureza colegiada.





