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Incompetência e Descaso

Verão do Apagão: Light admite que Grande Méier terá energia “no improviso” até maio

Por JR Vital Analista Geopolítico

Se o morador do Grande Méier achava que o calor de 40 °C era seu único inimigo, a Light acaba de confirmar o pior: o refresco do ar-condicionado será um luxo incerto até, pelo menos, o final de maio. Em um roteiro que os cariocas já conhecem — e detestam —, a concessionária admitiu que a instabilidade que assola bairros como Cachambi, Engenho de Dentro, Del Castilho e Benfica é fruto de uma manutenção emergencial em cabos de alta tensão que simplesmente “venceram”. Na prática, a Zona Norte está operando com um sistema cardíaco entupido, dependendo de pontes de safena elétricas e geradores que só ligam depois que a luz já caiu.

A justificativa de Vinicius Roriz, vice-presidente de operações da Light, soa como um deboche para quem perdeu alimentos e eletrodomésticos nas últimas 48 horas: os cabos críticos foram mapeados ainda em 2023, mas a troca só começou agora porque os equipamentos “não têm entrega imediata”. Enquanto isso, transformadores explodem nas cercanias do Engenhão e a população amarga noites de insônia e suor.

A situação é o retrato de uma gestão de infraestrutura que só reage ao colapso, tratando bairros tradicionais da Zona Norte com o mesmo descaso que deixou a Ilha do Governador às escuras no ano passado.

O plano de contingência apresentado — manobras de carga e geradores internos — é um paliativo que não aguenta o tranco do verão carioca. Com o consumo subindo 25% nos dias de pico, qualquer oscilação vira um apagão de horas, já que a sincronização desses geradores não é automática. Eduardo Paes, atento ao desgaste político, já acionou o Procon Carioca, mas a “Navalha Carioca” corta mais fundo: de que adianta multar se a Light continua entregando um serviço de “terceiro mundo” com tarifas de primeiro?

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O Mapa da Instabilidade: Quem está no escuro?

A subestação do Cachambi é o coração elétrico de uma vasta região. Quando ela falha, o efeito cascata atinge milhares de lares:

Bairros AfetadosCausa do ProblemaPrevisão de Normalização
Méier, Cachambi, Todos os SantosTroca de cabos de alta tensão (2km).Maio de 2026
Del Castilho, Maria da GraçaObras estruturais na subestação.Maio de 2026
Engenho de Dentro, Jacarezinho, BenficaSobrecarga e transformadores antigos.Monitoramento constante

A Falácia do “Gato” e o Sucateamento Real

A Light insiste em colocar parte da culpa nas ligações clandestinas, mas o estouro de transformadores e a necessidade de trocar cabos subterrâneos por “fim de vida útil” revelam que o buraco é mais embaixo — literalmente. O uso de alumínio nos novos cabos, sob o pretexto de evitar furtos, é uma medida econômica que não esconde a falta de investimento preventivo nos anos anteriores. O morador do Méier paga o pato (e a conta alta) por uma rede que foi deixada para apodrecer sob o asfalto.

A Light e o Palanque de Paes

Eduardo Paes reclama nas redes sociais, o Procon faz barulho, mas o carioca continua no escuro. A crise elétrica no Rio de Janeiro tornou-se sazonal e geográfica. Primeiro foi a Ilha, agora é o Grande Méier. Qual será o próximo bairro a ser “mapeado” como crítico enquanto as luzes piscam? O fornecimento de energia no Rio parece ter virado uma roleta russa onde a única certeza é que, até maio, o ventilador pode parar a qualquer momento. A Light precisa entender que “plano de contingência” não é solução para falta de manutenção; é atestado de incompetência planejada.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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