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Anvisa barra fórmulas infantis da Nestlé por risco sanitário

Por JR Vital Analista Geopolítico

Para pais e responsáveis, poucas coisas são tão sensíveis quanto o alimento que chega à mesa — ou à mamadeira — de um bebê. Foi nesse território de máxima cautela que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária decidiu agir.

Em resolução publicada nesta quarta-feira, a Anvisa proibiu, de forma preventiva, a comercialização de determinados lotes de fórmulas infantis da Nestlé Brasil após a identificação de risco de contaminação.

A decisão não se baseia em pânico, mas em protocolo. A agência detectou a possibilidade de presença de cereulide, uma toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus, capaz de provocar vômitos persistentes, diarreia e letargia — sintomas especialmente perigosos em crianças pequenas, cujo organismo ainda não dispõe de defesas maduras.

Na história da saúde pública, da Revolta da Vacina às modernas agências reguladoras, o aprendizado foi duro: agir tarde custa vidas; agir cedo custa críticas. A Anvisa optou pela primeira opção.

“Em saúde infantil, o erro não pode ser estatística — precisa ser evitado antes de existir.”

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O que foi proibido — e o que não foi

A medida atinge lotes específicos das marcas Nestogeno, Nan Supreme Pro, Nanlac Supreme Pro, Nanlac Comfor, Nan Sensitive e Alfamino. Não se trata de uma suspensão generalizada de todas as fórmulas da empresa, mas de um bloqueio cirúrgico, focado nos produtos associados ao risco identificado.

Segundo a Anvisa, os demais lotes permanecem liberados. Ainda assim, a orientação é clara: verificar atentamente o número do lote impresso na embalagem antes de qualquer uso.

Um recall que cruza fronteiras

A Nestlé informou que o problema teve origem em um ingrediente fornecido por um parceiro global, produzido em uma fábrica na Holanda. Diante disso, a empresa iniciou um recolhimento voluntário no Brasil e em outros países, ampliando o alcance do recall.

É o retrato da cadeia alimentar globalizada: um insumo falha em um ponto do planeta, e o reflexo chega ao colo de famílias do outro lado do mundo. O episódio expõe tanto a fragilidade quanto a necessidade de sistemas internacionais de vigilância.

Orientações a famílias e cuidadores

A recomendação das autoridades sanitárias é objetiva: produtos pertencentes aos lotes recolhidos não devem ser utilizados nem oferecidos às crianças. Consumidores devem procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor da Nestlé para troca ou reembolso integral.

Caso a criança apresente sintomas como vômitos, diarreia ou sonolência excessiva após o consumo, a orientação é buscar atendimento médico imediato e, se possível, levar a embalagem do produto para auxiliar na avaliação clínica.

O posicionamento da empresa

Em nota, a Nestlé afirmou que não há registros confirmados de reações adversas associadas aos produtos incluídos no recall em nenhum país. A empresa declarou ainda que reforçou seus protocolos de controle de qualidade e notificou o fornecedor responsável pelo ingrediente.

O episódio não é apenas um teste para a indústria, mas para o próprio conceito de confiança alimentar — um pacto silencioso entre fabricantes, Estado e consumidores, no qual a vigilância constante é o preço da segurança.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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