O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (13) que a instituição identificou graves indícios de malversação em parte das emendas parlamentares distribuídas pelo Congresso Nacional. Em entrevista, o chefe da PF assegurou que novas operações serão deflagradas conforme a necessidade das investigações, visando estancar o desvio de verbas destinadas a serviços públicos. Rodrigues enfatizou que, embora a emenda seja um instrumento constitucional legítimo, o uso indevido para corrupção e lavagem de dinheiro exige uma resposta rigorosa do Estado.
A ofensiva da PF ocorre no rastro da 9ª fase da Operação Overclean, que executou mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal. O foco da ação é o deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT-BA), investigado por suposta participação em um esquema que converte verbas parlamentares em benefício privado. De acordo com a PF, a autonomia da corporação é o pilar que sustenta o avanço das apurações, garantindo que o processo ocorra sem a criminalização da atividade política, mas com a punição técnica de crimes administrativos e financeiros.
A estratégia da Polícia Federal para 2026 envolve o monitoramento em tempo real do fluxo de caixa das emendas de transferência especial, conhecidas como “emendas Pix”, onde o rastro do dinheiro costuma ser mais opaco. Andrei Rodrigues reiterou que a instituição não se deixará intimidar por pressões partidárias, mantendo o foco na recuperação de ativos e no desmantelamento de redes de corrupção instaladas na Esplanada e nos currais eleitorais. A promessa é de um “pente-fino” que atinja o cerne do tráfico de influência no Legislativo.
O balcão de negócios do Legislativo
A retórica de Andrei Rodrigues é um aviso claro à “República das Emendas”: o tempo da impunidade garantida pelo carimbo parlamentar está chegando ao fim. Enquanto o Congresso tenta manter o controle absoluto sobre o orçamento, a PF utiliza a tecnologia de rastreio para provar que muitos desses recursos não chegam à ponta, mas se perdem em empresas de fachada e contratos de limpeza superfaturados. É a inteligência contra a esperteza da velha política, que ainda tenta tratar o dinheiro do contribuinte como patrimônio pessoal.
Raio-X da Operação Overclean
| Fases da Investigação | Alvos Principais | Crimes Tipificados | Localidades Focais |
| 9ª Fase (Atual) | Dep. Félix Mendonça Jr. | Lavagem de dinheiro e corrupção. | Bahia e DF. |
| Modus Operandi | Empresas de limpeza / fachada | Desvio de emendas parlamentares. | Órgãos Federais e Estaduais. |
| Próximos Passos | Quebra de sigilos bancários | Identificação de beneficiários finais. | Capitais do Nordeste. |
A autonomia como escudo da democracia
O discurso de que “emendas são legítimas” é a salvaguarda técnica que permite à PF agir sem ser acusada de perseguição ideológica. No entanto, ao prometer “quantas operações forem necessárias”, Rodrigues coloca uma espada de Dâmocles sobre Brasília. Em 2026, com as eleições no horizonte, o rastro de poeira deixado pela Operação Overclean sugere que a limpeza da PF será muito mais profunda do que os contratos de fachada que ela agora investiga.





