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Donald Trump vende a Ucrânia por um aperto de mão no Kremlin

Por JR Vital Analista Geopolítico

O mundo assiste, perplexo e sem filtros, à nova ordem geopolítica sendo ditada do Salão Oval. Em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, Donald Trump afirmou que a Ucrânia é o verdadeiro obstáculo para o fim do conflito iniciado em 2022.

Para o líder americano, o tabuleiro é simples: Vladimir Putin estaria pronto para o cessar-fogo, enquanto Volodymyr Zelensky se aferra a uma resistência que Washington agora classifica como inconveniente.

A declaração, proferida entre comentários sobre a compra da Groenlândia e novas tensões com o Irã, sepulta décadas de diplomacia atlântica.

A retórica de Trump atropela a realidade dos fatos e as evidências colhidas pelos aliados europeus. Enquanto o Kremlin prontamente ecoou e aplaudiu as palavras do americano, o continente europeu assiste à erosão de sua segurança. Ao culpar a vítima pela duração da ofensiva, Trump não busca a paz, mas a capitulação. Volodymyr Zelensky, antes o herói de uma resistência improvável, agora é pintado pelo ex-aliado como o vilão de uma ópera que os Estados Unidos estão cansados de financiar.

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O realinhamento é bruto. Ao tratar Putin como um parceiro razoável e Zelenski como um negociador obstinado, Trump sinaliza que a soberania das nações é um ativo negociável em sua mesa de negócios. O isolacionismo do “América Primeiro” revela sua face mais cruel: a de um maestro que desafina a orquestra global para agradar ao antigo rival.

O preço do silêncio sob o grito do império

Será que a paz tem o cheiro de uma rendição forçada em nome do mercado? Quando Washington decide que o agredido é o culpado, o Direito Internacional torna-se papel de embrulho para acordos de conveniência. Trump não propõe um acordo; ele propõe um inventário de perdas para Kiev. Putin, estrategista paciente, colhe os frutos de uma paciência que agora encontra eco no homem mais poderoso do Ocidente. Quem será o próximo a ser jogado aos lobos em nome de uma “paz” sem justiça?

Zelenski resiste não apenas à invasão, mas agora à traição geopolítica. A fala de Trump no Salão Oval ecoa como um ultimato para quem ainda acredita em alianças inquebráveis. No jogo de xadrez do novo século, o rei americano parece disposto a sacrificar todas as torres europeias para manter seu próprio trono isolado. O mundo pós-ocidental não está apenas batendo à porta; ele já entrou e está sentado à mesa, falando mandarim e bebendo vodka, enquanto o Irã aguarda o momento em que Washington esquecerá também de suas promessas no Oriente Médio.

A nova balança do poder em Washington

PersonagemO Discurso de TrumpA Reação de MoscouO Impacto na Europa
Volodymyr ZelenskyO obstáculo para a paz.Alvo de escárnio oficial.Perda de apoio vital.
Vladimir PutinO líder disposto ao acordo.Concordância imediata.Consolidação da invasão.
Aliados EuropeusIgnorados no Salão Oval.Divisão estratégica.Insegurança continental.

A leitura dos números e gestos não deixa dúvidas: os Estados Unidos abdicaram do papel de garantidores da ordem. A análise é árida e sem eufemismos: Trump trocou a diplomacia pela corretagem de territórios. Ao validar a narrativa do Kremlin, ele isola a Ucrânia e empurra a Europa para um beco sem saída. A paz que nasce dessa retórica não é o fim da guerra, mas o início de uma era onde a força bruta é legitimada pelo carimbo da Casa Branca.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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