O império está em chamas e os bombeiros, desta vez, usam ternos de corte impecável e falam o dialeto hermético das taxas de juros. Em um movimento que beira o desespero institucional, o Olimpo financeiro global decidiu que Jerome Powell não será devorado sozinho pelas hienas do trumpismo.
Gabriel Galípolo, o rosto da resistência técnica no Banco Central do Brasil, uniu-se a Christine Lagarde e outros sumos sacerdotes da moeda para enviar um recado direto ao Salão Oval: a política monetária não é o quintal de um ex-apresentador de reality show.
O manifesto conjunto é o primeiro sinal de que o sistema está em alerta máximo contra a corrupção legalizada que Donald Trump tenta impor. Ao exigir juros baixos no grito para inflar sua própria bolha de popularidade, o republicano ameaça o último pilar de estabilidade que sustenta o dólar.
Para os signatários, o que está em jogo não é apenas a cadeira de Powell, mas a barreira contra a pilhagem desenfreada dos recursos públicos em favor de interesses autocráticos.
O levante dos tecnocratas contra o capitólio laranja
A solidariedade a Powell não nasce de um amor súbito pela democracia, mas do puro instinto de sobrevivência. Quando Galípolo assina ao lado de nomes como Andrew Bailey (Reino Unido) e Tiff Macklem (Canadá), ele está reafirmando que o Estado de Direito não admite caprichos imperiais. O texto é cristalino: a independência das autoridades monetárias é o que separa a economia civilizada do caos populista que a extrema-direita tenta normalizar.
Abaixo, a anatomia do confronto que coloca a inteligência institucional contra a fúria do laranjal:
| Trincheira do conflito | O desejo autocrático de Trump | A exigência da civilização técnica |
| Jerome Powell | Transformar o presidente do Fed em um lacaio | Manter a integridade e o foco no mandato público |
| Federal Reserve | Tornar o banco um puxadinho da Casa Branca | Preservar a autonomia contra pressões eleitoreiras |
| Política monetária | Praticar a pilhagem para gerar crescimento artificial | Garantir estabilidade e combater a corrupção legalizada |
A perseguição judicial como arma de constrangimento
Não satisfeito em vociferar em redes sociais, o governo Trump acionou o braço armado do Direito. O Departamento de Justiça agora utiliza intimações de um grande júri para cercar Powell, uma tática clássica de regimes que não suportam o “não” técnico. Powell, que já foi um conservador de carteirinha, agora sente na pele o que acontece quando a extrema-direita decide que as instituições são obstáculos à sua vontade absoluta.
O apoio de Galípolo e seus pares internacionais é um reconhecimento de que, se o Fed cair, o efeito dominó atingirá todas as democracias ocidentais. É a “Navalha Carioca” cortando o véu da suposta “liberdade econômica” pregada pela direita: o que eles querem é o controle total das impressoras de dinheiro para financiar seu projeto de poder. O Diário Carioca seguirá atento; afinal, quando os bancos centrais começam a emitir manifestos de solidariedade, é porque o fascismo já está tentando arrombar o cofre.





