Desigualdade Tecnológica

Karen Hao denuncia ChatGPT e OpenAI: IA como instrumento de desigualdade e erosão de direitos

Em “The IA Empire”, repórter expõe concentração de poder, exploração de trabalhadores e impactos ambientais da indústria de inteligência artificial

JR Vital - Diário Carioca
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JR Vital
JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo...
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Karen Hao - Foto: Reprodução

A jornalista Karen Hao, formada em engenharia mecânica pelo MIT, lançou a nova edição de seu livro The IA Empire [O Império da IA], fruto de mais de 200 entrevistas e documentos internos, traçando um panorama crítico do poder concentrado na indústria de inteligência artificial.

OpenAI e o mito do império benevolente

Ao visitar os escritórios da OpenAI em 2019, Hao percebeu fissuras no discurso idealista de Sam Altman, que prometia uma IA capaz de raciocinar como a mente humana para salvar o mundo. Publicar reportagens críticas custou-lhe acesso à empresa, mas reforçou seu compromisso: “No começo me senti muito mal (…) mas o importante não é manter o acesso, e sim dizer a verdade”.

Hao compara o setor de IA a antigos impérios, acumulando poder econômico e político. Identifica quatro dimensões dessa dominação:

  1. Apropriação de dados da internet para treinar modelos.
  2. Exploração de trabalhadores e automatização que corroem direitos laborais.
  3. Monopolização do conhecimento, controle de pesquisas e censura crítica.
  4. Uso de discurso moralista para justificar a expansão.

Corrida tecnológica e narrativa de sobrevivência

Segundo Hao, empresas como OpenAI promovem a ideia de uma corrida civilizatória contra a China. Políticos, muitas vezes, aceitam acríticamente que a IA equivale a progresso, ignorando que impérios tecnológicos exigem zonas de sacrifício, prejudicando populações e o planeta.

Impactos ambientais e sociais

O crescimento de data centers aumenta drasticamente a demanda energética, ameaçando metas climáticas e agravando crises de água e poluição. A terceirização de tarefas críticas no Sul Global, como moderação de conteúdo no Quênia, expõe trabalhadores a sofrimento extremo, evidenciando exploração invisível ao usuário médio.

O código aberto como alternativa

Hao aponta que modelos de código aberto oferecem meios de contestar monopólios, mantendo dados locais e permitindo que pesquisadores independentes produzam conhecimento público sobre limitações, capacidades e regulamentação da IA. Essa estratégia reduz o poder concentrado e fortalece a resistência social.

Com informações de Outras Palavras

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JR Vital - Diário Carioca
Editor e analista geopolítico
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JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.