O governo Donald Trump oficializou nesta sexta-feira (16) a composição do que chama de “Conselho da Paz”, um órgão que, na prática, funcionará como a junta governativa de Gaza sob tutela direta de Washington.
A lista de nomes é um inventário do establishment conservador e de figuras controversas da geopolítica ocidental: do secretário de Estado Marco Rubio ao “arquiteto” dos Acordos de Abraão, Jared Kushner, passando pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair — cuja biografia já está manchada pelo sangue da Guerra do Iraque.
O plano, que conta com a anuência pragmática (e desesperada) de Israel e do Hamas desde outubro de 2025, coloca o próprio Donald Trump como presidente do conselho, estabelecendo uma hierarquia de poder onde a soberania palestina é substituída por um comitê de bilionários e burocratas estrangeiros.
Enquanto Gaza ainda enterra seus mortos — com mais de 440 vítimas desde o cessar-fogo de outubro, incluindo 100 crianças —, a Casa Branca desenha o futuro do enclave como se fosse um fundo de private equity.
A presença de Marc Rowan e Ajay Banga (Banco Mundial) sinaliza que o plano de transição prioriza a reconstrução financeira e o controle de ativos sobre a autodeterminação dos povos.
Para especialistas em direitos humanos e analistas de política internacional, a estrutura não é apenas um conselho de transição; é uma reedição moderna dos mandatos coloniais, onde o destino de milhões de deslocados e famintos será decidido no Salão Oval, sob a égide de uma força militar internacional liderada pelo major-general Jasper Jeffers.
Pode haver paz genuína em um território gerido por quem financiou o seu massacre ou o “Conselho da Paz” é apenas a fachada para a anexação econômica definitiva?
Será que a escolha de Tony Blair, o homem que vendeu a mentira das armas de destruição em massa no Iraque, traz alguma credibilidade para uma Gaza que sofre com uma crise de fome induzida e um genocídio documentado pela ONU?
A indicação de Robert Gabriel e Steve Witkoff reforça o caráter personalista da gestão Trump: Gaza agora é um projeto da “Trump Organization” com o aval do Conselho de Segurança da ONU.
O mundo assiste, atônito, à oficialização de um protetorado americano em solo palestino, onde a “estabilização” servirá para limpar o rastro de dezenas de milhares de mortos em nome de um novo arranjo regional que ignora, solenemente, a dignidade dos sobreviventes.
A Engenharia do Protetorado: Quem manda em Gaza 2026
| Nome | Função no Conselho | Histórico / Perfil | O Olhar do Diário |
| Donald Trump | Presidente do Conselho | Bilionário e 47º Presidente EUA. | O síndico do caos que busca o Nobel sobre escombros. |
| Jared Kushner | Membro Supervisor | Genro de Trump e articulador regional. | O retorno do “business” imobiliário sobre o solo sagrado. |
| Tony Blair | Membro Internacional | Ex-premiê do Reino Unido. | A grife da guerra por procuração reaparece em Gaza. |
| Marco Rubio | Representante Diplomático | Secretário de Estado dos EUA. | O “falcão” que garante a subserviência ao imperialismo. |
| Jasper Jeffers | Comandante Militar | Major-General de Operações Especiais. | A face fardada da “paz” que vigia a fome. |
A análise técnica do Diário Carioca é ácida: a nomeação de um conselho presidido por Trump para governar Gaza é a materialização do cinismo imperialista. Após apoiar militarmente a ofensiva que dizimou a população palestina, os EUA agora se propõem a “gerir” a tragédia.
A inclusão de Nickolay Mladenov como alto representante tenta dar um verniz de legitimidade multilateral a uma operação que cheira a ocupação. Para os palestinos que sobreviveram aos bombardeios e à fome, a troca dos mísseis pela burocracia de Kushner e Blair pode não passar de uma transição entre a morte rápida e a servidão prolongada.





