Brasília, 1º de agosto de 2025 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão para responder às sanções do governo dos Estados Unidos (EUA) contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A iniciativa visa contestar a aplicação da Lei Magnitsky ao magistrado e denunciar o que o Planalto considera uma violação à soberania brasileira.
Críticas à Lei Magnitsky e à interferência norte-americana
Segundo assessores da Presidência da República, o texto do pronunciamento ainda está sendo finalizado, mas deve ser transmitido até o próximo domingo. A mensagem central será a condenação da decisão do presidente Donald Trump, que enquadrou Moraes na Lei Magnitsky, norma dos Estados Unidos criada para sancionar estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.
Esta é a primeira vez que um ministro da mais alta Corte do Brasil é diretamente alvo da legislação norte-americana. O gesto foi recebido com indignação no governo brasileiro, que acusa os EUA de extrapolar os limites diplomáticos e tentar intervir no funcionamento da Justiça do país.
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Tarifaço também estará no centro do discurso
Além da defesa de Moraes, Lula também vai retomar críticas ao tarifaço decretado por Donald Trump em julho. A medida impôs alíquota de 50% sobre centenas de produtos brasileiros, embora tenha poupado cerca de 700 categorias — incluindo aviões, petróleo, suco de laranja e celulose.
Mesmo com as exceções, a decisão foi interpretada como uma escalada política por parte do presidente norte-americano, que mantém relação próxima com Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente brasileiro e atualmente réu em diversas ações no STF.
Reação institucional e solidariedade a Moraes
Na quinta-feira (31), Lula reuniu ministros do STF, da Advocacia-Geral da União (AGU) e do Ministério da Justiça em um jantar no Palácio da Alvorada. Na ocasião, classificou como “inaceitáveis” as sanções impostas a Moraes. O evento foi visto como gesto de solidariedade institucional ao ministro e tentativa de construir uma frente de defesa do Judiciário brasileiro diante de pressões externas.
O governo avalia que reforçar a narrativa da soberania tem gerado retorno positivo. Em 17 de julho, poucos dias após o anúncio do tarifaço, Lula já havia feito um pronunciamento público em tom semelhante, cuja recepção favorável consolidou a estratégia de manter o debate centrado na autonomia das instituições nacionais.
Entenda o embate entre Lula e Trump sobre Moraes e soberania
Por que os EUA aplicaram sanções a Alexandre de Moraes?
O governo de Donald Trump alegou supostas violações de direitos humanos por parte do ministro em decisões judiciais no Brasil. Moraes foi incluído na Lei Magnitsky, voltada a punir autoridades estrangeiras acusadas de abusos ou corrupção.
O que diz o governo brasileiro sobre a medida?
O Palácio do Planalto considera a sanção um ataque sem precedentes à soberania nacional e um gesto de ingerência inaceitável nos assuntos internos do país, especialmente no âmbito do Poder Judiciário.
Qual é a relação entre Trump e Bolsonaro nesse contexto?
Aliado de longa data de Trump, Jair Bolsonaro enfrenta investigações conduzidas por Moraes. O governo vê as sanções como uma tentativa velada de deslegitimar o STF e favorecer politicamente o ex-presidente brasileiro.
Que impacto o tarifaço tem na relação bilateral?
Embora parcialmente suavizada por exceções, a medida tarifária elevou a tensão entre Brasília e Washington, sendo tratada como um instrumento político de pressão e não apenas como ajuste comercial.
O que se espera do novo pronunciamento de Lula?
O presidente deve reafirmar o apoio ao STF, criticar a postura de Trump e enfatizar o compromisso do Brasil com a defesa da democracia, da Constituição e da independência entre os Poderes.
Desdobramentos e posicionamento do governo
No Planalto, a resposta de Trump é tratada como um divisor de águas nas relações com os Estados Unidos, ampliando o desgaste diplomático entre os dois países. A estratégia do governo Lula é manter o debate público ancorado na defesa da soberania nacional, projetando institucionalmente o STF e suas decisões.
O novo pronunciamento deve reafirmar esse eixo e ampliar a crítica à postura da Casa Branca, com foco em preservar a imagem de autonomia do sistema político e judicial brasileiro frente a pressões externas.





