Brasília — 7 de agosto de 2025 — Quarenta e um senadores da oposição, ligados majoritariamente ao bolsonarismo, assinaram nesta quinta-feira um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A ação foi impulsionada após Moraes determinar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), medida considerada uma afronta pelo núcleo radical da direita no Congresso.
A ofensiva é capitaneada pelo Partido Liberal (PL) e conta com apoio de parlamentares do PP, Republicanos, Podemos, União Brasil e outros partidos de direita. O último nome a aderir ao pedido foi Laércio Oliveira (PP-SE), consolidando a cota mínima exigida para que o requerimento seja formalizado no Senado Federal. Com isso, os parlamentares anunciaram o fim da obstrução e da ocupação da Mesa Diretora iniciada na terça-feira (5).
Pressão sobre Alcolumbre é nova frente da ofensiva bolsonarista
Segundo o regimento do Senado, a abertura de um processo contra um ministro do STF exige o apoio de 41 senadores, número já alcançado. No entanto, a remoção definitiva do magistrado só ocorreria com 54 votos favoráveis, o equivalente a dois terços da Casa.
Apesar da mobilização, o destino do pedido depende exclusivamente do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem o poder de dar ou não andamento ao processo. Até agora, Alcolumbre não indicou qualquer intenção de acatar a solicitação — o que tem sido interpretado como um sinal de contenção institucional diante das pressões da extrema direita.
O movimento foi classificado por analistas como uma tentativa de intimidação ao Judiciário, especialmente após Moraes endurecer medidas contra Bolsonaro, acusado de liderar articulações golpistas dentro e fora do país.
Os 41 senadores que assinaram o pedido de impeachment
A seguir, a lista dos 41 senadores que apoiaram a tentativa de retaliação contra o STF. O Diário Carioca classifica publicamente esses parlamentares como “41 traidores da democracia”, por endossarem uma ofensiva autoritária contra a Corte responsável por investigar crimes golpistas:
- Alan Rick (União–AC)
- Alessandro Vieira (MDB–SE)
- Astronauta Marcos Pontes (PL–SP)
- Carlos Portinho (PL–RJ)
- Carlos Viana (Podemos–MG)
- Cleitinho (Republicanos–MG)
- Damares Alves (Republicanos–DF)
- Dr. Hiran (PP–RR)
- Eduardo Girão (Novo–CE)
- Eduardo Gomes (PL–TO)
- Efraim Filho (União–PB)
- Esperidião Amin (PP–SC)
- Flávio Bolsonaro (PL–RJ)
- Hamilton Mourão (Republicanos–RS)
- Ivete da Silveira (MDB–SC)
- Izalci Lucas (PL–DF)
- Jaime Bagattoli (PL–RO)
- Jayme Campos (União–MT)
- Jorge Kajuru (PSB–GO)
- Jorge Seif (PL–SC)
- Laércio Oliveira (PP–SE)
- Lucas Barreto (PSD–AP)
- Luis Carlos Heinze (PP–RS)
- Magno Malta (PL–ES)
- Marcio Bittar (União–AC)
- Margareth Buzetti (PSD–MT)
- Marcos Rogério (PL–RO)
- Marcos do Val (Podemos–ES)
- Mecias de Jesus (Republicanos–RR)
- Nelsinho Trad (PSD–MS)
- Oriovisto Guimarães (Podemos–PR)
- Pedro Chaves (MDB–GO)
- Plínio Valério (PSDB–AM)
- Professora Dorinha Seabra (União–TO)
- Rogério Marinho (PL–RN)
- Sergio Moro (União–PR)
- Styvenson Valentim (Podemos–RN)
- Tereza Cristina (PP–MS)
- Wellington Fagundes (PL–MT)
- Wilder Morais (PL–GO)
- Zequinha Marinho (Podemos–PA)
Entenda o caso
Por que o pedido de impeachment foi feito agora?
O pedido foi articulado logo após Alexandre de Moraes determinar prisão domiciliar a Jair Bolsonaro, sob alegação de desrespeito a medidas cautelares e articulações políticas suspeitas feitas por seus aliados no exterior.
O presidente do Senado pode barrar o processo?
Sim. Davi Alcolumbre (União–AP) tem o poder de arquivar ou ignorar o pedido, mesmo com as assinaturas necessárias.
O que motivou a reação dos senadores?
A decisão de Moraes foi vista pelo bolsonarismo como uma ameaça direta ao núcleo duro da direita radical, que tenta reagir com instrumentos institucionais, como o pedido de impeachment.
Quantos votos são necessários para afastar Moraes?
Para a simples abertura do processo, são necessários 41 votos. Para o afastamento, 54 votos — número improvável no atual cenário.
Houve obstrução no Senado?
Sim. A base bolsonarista ocupou a Mesa Diretora do Senado entre os dias 5 e 7 de agosto. A ação terminou após a 41ª assinatura ser confirmada.
Tentativa de golpe institucional
O pedido contra Moraes se insere num padrão de escalada antidemocrática do bolsonarismo, que desde a eleição de Lula em 2022 tem tentado deslegitimar as instituições. A ação dos 41 senadores se soma à série de ataques contra o STF, o TSE, a imprensa e a ordem constitucional.
O Supremo, por sua vez, tem endurecido sua atuação contra atos golpistas e discursos de ódio. Moraes é relator das principais ações contra Bolsonaro e seus aliados, inclusive do inquérito das milícias digitais.
Apesar do barulho político, a base governista e partidos de centro consideram remotas as chances de o impeachment avançar. Ainda assim, o gesto expõe a fragilidade da democracia frente à conivência de parte do Congresso com pautas autoritárias.





