O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), utiliza recursos públicos para remunerar o caseiro de sua fazenda em Serraria (PB) como se fosse assessor parlamentar. Ary Gustavo Soares, registrado como secretário parlamentar, recebe R$ 7,2 mil mensais para exercer função de dedicação exclusiva de 40 horas semanais, mas continua trabalhando na propriedade rural do deputado.
Caseiro atua na fazenda durante expediente público
De acordo com reportagem da Folha de S.Paulo, Ary Gustavo Soares permanece ativo nas funções de caseiro, contrariando a exigência legal de dedicação exclusiva ao gabinete. Uma funcionária identificada como Maria, ligada ao parlamentar, confirmou que ele esteve na fazenda no mesmo dia da apuração: “Ele passou aí já mais cedo hoje”, disse.
Ex-funcionários também apontam a irregularidade. O ex-tratorista Antônio da Costa afirmou que Ary permanece na propriedade de segunda a sexta-feira, dorme na casa principal e só retorna nos fins de semana para Patos, onde vive com a família.
Ligação direta com ações trabalhistas
O caseiro figura ainda como representante da fazenda em processo trabalhista movido por Costa, que obteve indenização de R$ 18 mil após demissão sem registro em carteira. Em contato telefônico com a Folha, Ary confirmou sua atuação na propriedade: “Qualquer assunto relativo à fazenda deveria ser tratado com Motta”.
A conduta pode configurar desvio de finalidade no uso de verba pública e improbidade administrativa, já que a função de secretário parlamentar não prevê atividades privadas.
Silêncio do presidente da Câmara
Desde quarta-feira (13), a Folha e outros veículos enviaram pedidos formais de esclarecimento ao presidente da Câmara dos Deputados, mas Hugo Motta não se manifestou. O caso expõe mais um capítulo de uso indevido de recursos do Legislativo, já alvo de críticas por falta de transparência e fiscalização efetiva.





