A sessão do Senado que aprovou o projeto do governo Lula (PT) ampliando a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil se transformou em um constrangimento para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Ao tentar atribuir ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o mérito pela proposta, o parlamentar foi desmentido publicamente por Humberto Costa (PT-PE), que lembrou que a promessa feita em 2018 jamais foi cumprida durante os quatro anos de governo bolsonarista.
Constrangimento público e desmentido histórico
O episódio ocorreu na quarta-feira (5), durante a votação do projeto de lei encaminhado pelo governo federal. Ao orientar o voto do Partido Liberal, Flávio afirmou que apoiava o texto “porque também era um compromisso de campanha do presidente Bolsonaro”.
A tentativa de apropriação da medida provocou reação imediata. Da tribuna, Humberto Costa rebateu o discurso e expôs a incoerência da fala do senador.
“Promessa que ele não cumpriu. Passou quatro anos, não fez. E durante todo esse período, a população brasileira sofreu com a ausência de correção da tabela do Imposto de Renda”, declarou o petista, sob aplausos.
O parlamentar também destacou que, ao contrário do discurso da oposição, o país vive hoje “a menor taxa histórica de desemprego”, resultado de uma política econômica que “promoveu o crescimento acima das previsões do mercado”.
Vitória unânime do governo Lula no Senado
O projeto apresentado em março pelo governo federal foi aprovado por unanimidade, um feito raro no Senado, e segue agora para sanção do presidente Lula. A proposta garante isenção total para trabalhadores com renda de até R$ 5 mil por mês e aumenta a tributação sobre os mais ricos — uma medida alinhada ao compromisso do governo com a justiça tributária.
De acordo com estimativas do Ministério da Fazenda, 25 milhões de brasileiros serão beneficiados com a isenção, enquanto cerca de 200 mil contribuintes das faixas mais altas passarão a pagar mais impostos.
Para compensar a redução de arrecadação, o texto cria uma alíquota progressiva adicional de até 10% sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, além de impor tributação sobre lucros e dividendos enviados ao exterior. Segundo o governo, a mudança visa reduzir a evasão fiscal e fortalecer o orçamento público sem punir as classes médias e trabalhadoras.
Renan Calheiros celebra aprovação como “dia histórico”
A relatoria da proposta ficou a cargo do senador Renan Calheiros (MDB-AL), que classificou o resultado como “um marco da nova fase da política fiscal brasileira”.
“Aprovamos o Imposto Zero para quem ganha até R$ 5 mil por mês. O benefício alcança 90% da população e inicia um processo real de justiça tributária. É um orgulho ter sido o relator dessa proposta”, escreveu nas redes sociais.
A fala reforça o contraste entre o discurso bolsonarista e a execução prática das políticas sociais. Durante o governo anterior, não houve correção da tabela do Imposto de Renda, o que ampliou a carga sobre os trabalhadores de menor renda e reduziu o poder de compra da classe média.
Lula destaca avanço e defende justiça fiscal
Após a votação, o presidente Lula comemorou a aprovação unânime e destacou que a medida é parte de uma estratégia de reconstrução econômica baseada em equidade e redistribuição de renda.
“Hoje é um dia histórico. Demos um passo decisivo para um país mais justo, com um sistema que reconhece o esforço de quem vive do próprio trabalho”, afirmou o presidente.
Lula também agradeceu o relator e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pela condução do processo: “Por unanimidade, nos dois casos. Uma vitória da democracia e da justiça social. É o Governo do Brasil do lado do povo brasileiro.”
Flávio tenta capitalizar derrota e vira símbolo do oportunismo político
O constrangimento de Flávio Bolsonaro no Senado virou símbolo da contradição do bolsonarismo: tentar capitalizar medidas que jamais executou e que hoje são marca do governo petista. A tentativa de reescrever a história política foi amplamente criticada por parlamentares, economistas e até mesmo por integrantes da direita moderada.
Enquanto o governo Lula avança em políticas de justiça tributária, o bolsonarismo insiste em narrativas descoladas dos fatos, tentando manter relevância em meio ao desgaste crescente de sua liderança.





