Romeu Zema (Novo), o governador que governa como quem faz inventário de estoque, finalmente oficializou o que o mercado já sabia: Minas Gerais ficou pequena para seus delírios de privatização. Em 22 de março, o gestor de uniforme laranja entregará as chaves do Palácio Tiradentes para se lançar em uma “caravana do desmonte” pelo país. Após anos vendendo o patrimônio mineiro a preço de banana e ignorando o funcionalismo, Zema agora quer provar que o Brasil pode ser gerido como uma rede de eletrodomésticos — sem alma, sem social e sem povo.
O vice da sucessão e a herança maldita
A saída de Zema abre alas para Mateus Simões (PSD), o “professor” da governança que acaba de trocar o Novo pelo partido de Gilberto Kassab. A manobra de Simões é o retrato do pragmatismo fisiológico: ele assume o cargo não como um sucessor, mas como o guardião de uma herança maldita marcada pelo maior endividamento da história do estado e pela entrega sistemática de estatais como a Cemig e a Copasa. Enquanto Simões prepara o terreno para sua própria reeleição, Minas assiste à fuga de um governador que prometeu “arrumar a casa” e entrega um despejo social.
Historicamente, o projeto de Zema mimetiza o fracasso do neoliberalismo periférico, onde a eficiência é medida pela satisfação do acionista e a pobreza é tratada como erro de sistema. Ao contrário de estadistas mineiros do passado, que construíram o Brasil, Zema entra para a história como o liquidante que, ao ver o estado sangrar sob o Regime de Recuperação Fiscal, escolheu a rampa do Planalto como saída de emergência.
O balanço do desmonte (2019-2026)
Confira os dados que o marketing de Zema tenta esconder em sua pré-campanha presidencial:
| Indicador de “Gestão” | Resultado sob Zema | Realidade dos Fatos |
| Dívida com a União | Crescimento exponencial | Estado à beira do colapso fiscal |
| Renúncia de ICMS | R$ 15,4 bilhões (2024) | Isenção para locadoras e aliados |
| Patrimônio Público | Leilões simbólicos | Privatização de água e luz sem plebiscito |
| Funcionalismo | Salário parcelado e arrocho | Reajuste de 300% para o próprio bolso |
O divórcio da extrema direita e o isolamento
Na tentativa de se pintar como a “terceira via do sapatenis”, Zema corre para se distanciar do bolsonarismo tóxico de Flávio Bolsonaro. Ao negar a vice-presidência na chapa do clã, o mineiro tenta vender uma independência que não resiste a um post de Instagram. O Diário Carioca já avisou: o isolamento de Zema não é por virtude, mas por falta de mercado. Sem o apoio da massa bolsonarista e sob o fogo cruzado da esquerda intelectualizada, o governador de Minas corre o risco de descobrir que o Brasil não é uma prateleira de loja e que o povo brasileiro não aceita devolução.





