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Caso Julio Lancellotti: Quando a caridade incomoda, a resposta arcaica da igreja é cortar o microfone

Por JR Vital Analista Geopolítico

O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, determinou a transferência do padre Júlio Lancellotti da Paróquia São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, onde o sacerdote atuava havia cerca de 40 anos. A decisão foi comunicada por carta recebida pelo religioso na última quarta-feira (10).

No documento, dom Odilo informa a transferência sem indicar publicamente qual será o novo destino do padre. A comunicação inclui ainda a proibição do uso de redes sociais por padre Júlio e a suspensão das transmissões on-line das missas dominicais celebradas na paróquia.

As celebrações conduzidas por Lancellotti vinham sendo acompanhadas por fiéis de diversas regiões do Brasil e do exterior por meio das transmissões digitais. O padre também mantinha atuação ativa nas redes, onde divulgava ações pastorais e posicionamentos públicos.

Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção”, afirmou o religioso à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. Questionado sobre a decisão, respondeu: “Tenho apenas que obedecer”.

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Atuação social reconhecida
Padre Júlio Lancellotti é conhecido nacionalmente pelo trabalho junto à população em situação de rua na capital paulista, por meio da Pastoral do Povo da Rua, ligada à Igreja Católica. A atuação envolve distribuição de alimentos, atendimento pastoral e articulação de projetos sociais.

Entre as iniciativas recentes está a Biblioteca Wilma Lancellotti, inaugurada na rua Sapucaia, no bairro do Belém, voltada ao atendimento de pessoas em situação de rua. O espaço reúne cerca de 3 mil livros doados e promove rodas de conversa e atividades de incentivo à leitura.

A jornalista Denise Ribeiro, colaboradora do projeto, publicou um texto que viralizou nas redes com questionamentos sobre a decisão. “Que motivos levariam dom Odilo a tomar decisão tão drástica em pleno final de ano?”, escreveu, levantando hipóteses sobre pressões políticas, econômicas e religiosas.

Silêncio institucional
Até o momento, a Arquidiocese de São Paulo não divulgou nota pública detalhando os motivos da decisão nem informações claras sobre o futuro do padre na estrutura eclesiástica da cidade.

Dom Odilo Scherer tem aposentadoria prevista para abril de 2026, conforme as normas da Igreja Católica para bispos ao completarem 75 anos. A transferência ocorre, portanto, no período final de sua gestão à frente da arquidiocese paulistana.

A decisão gerou manifestações públicas de apoio ao padre por parte de fiéis, voluntários e entidades sociais ligadas aos projetos desenvolvidos por ele ao longo das últimas décadas.

Possível saída definitiva da paróquia
Além da censura às transmissões e às redes sociais, dom Odilo avalia a retirada definitiva do padre da paróquia ainda neste ano. Lancellotti, que completa 77 anos no dia 27, afirmou que a decisão “ainda não aconteceu”, apesar de mensagens que circularam em grupos ligados à Igreja.

Segundo ele, as normas canônicas permitem remoções após os 75 anos, mas há casos de padres que permanecem em atividade “depois dos 80 ou 90 anos”, conforme a necessidade pastoral.

Até agora, não há confirmação oficial sobre mudanças no funcionamento dos projetos sociais nem sobre a continuidade das atividades da Paróquia São Miguel Arcanjo após sua eventual saída.

JR Vital

JR Vital é jornalista e editor do Diário Carioca. Analista Político, Formado no Rio de Janeiro, pela faculdade de jornalismo Pinheiro Guimarães, atua desde 2007, tendo passado por grandes redações, como Visto Livre Magazine, Folha do Centro, Universo Musical, Alô Rio e outros.

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