O cenário econômico de 2026 acaba de ser atingido por um sismo de magnitude histórica. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não utilizou eufemismos ao classificar o caso do Banco Master como a potencial “maior fraude bancária do país”.
A liquidação extrajudicial da instituição, motivada por operações suspeitas de R$ 12,2 bilhões com o Banco de Brasília (BRB), revela uma capilaridade perversa que transcende o sistema financeiro tradicional: o cruzamento com a Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC no setor de combustíveis. No Diário Carioca, analisamos este evento não apenas como uma falha regulatória, mas como o desvelamento de uma simbiose entre o capital financeiro, o tráfico de influência e o crime transnacional.
A Confluência do Caos: Master, BRB e Carbono Oculto
A robustez técnica do Banco Central, agora sob a batuta de Gabriel Galípolo, é o pilar sobre o qual Haddad sustenta a gravidade do processo. A conexão apontada com o grupo Reag e a Operação Carbono Oculto sugere que o Banco Master não era apenas um operador de créditos duvidosos, mas possivelmente o centro de lavagem de um esquema de fraude tributária de escala industrial. A atuação conjunta com o TCU e a PGR indica que a blindagem técnica da autoridade monetária está sendo testada em tempo real contra uma estrutura que tentou mimetizar a legalidade institucional para operar a pilhagem do sistema.
Historicamente, liquidações extrajudiciais no Brasil costumam ser processos lentos e opacos. No entanto, a celeridade com que o FGC foi acionado e a transparência com que a Fazenda tem tratado o diálogo com o Tribunal de Contas da União sugerem uma mudança de paradigma. O governo Lula parece entender que a estabilidade do sistema financeiro em 2026 depende, paradoxalmente, da exposição cirúrgica de suas feridas mais profundas.
Radiografia do Rombo: Os Números da Crise
Para entender a dimensão do que Haddad classifica como “maior fraude da história”, é preciso observar os vetores de contágio e a situação fiscal:
| Vetor de Investigação | Montante / Status | Impacto Estrutural |
| Operações Master-BRB | R$ 12,2 Bilhões | Suspeita de irregularidades em carteiras de crédito. |
| Operação Carbono Oculto | 1.400 Agentes / 10 Estados | Infiltração do crime organizado no setor de energia. |
| Déficit Fiscal 2025 | 0,1% (preliminar) | Cumprimento da meta pelo 3º ano consecutivo. |
| Reserva de Manobra (Arcabouço) | Até R$ 75,8 Bilhões | Espaço fiscal para absorver impactos sistêmicos. |
Entre a Autonomia e a Fiscalização
A convergência entre Haddad e Vital do Rêgo (TCU) sobre a autonomia do Banco Central é um dado político relevante. Ao garantir que o BC tenha “respaldo institucional” para agir com rigor técnico, a Fazenda neutraliza narrativas de intervenção política e fortalece o E-E-A-T (Expertise e Autoridade) da autoridade monetária. No horizonte de 2026, a manutenção do déficit em patamares baixos (0,1% a 0,48% com precatórios) oferece ao governo o fôlego necessário para enfrentar a tempestade Master sem comprometer o arcabouço fiscal.





