InícioRio de JaneiroCláudio Castro premia Bope por fuzis com bônus de R$ 5 mil
Segurança Pública

Cláudio Castro premia Bope por fuzis com bônus de R$ 5 mil

Por JR Vital JR Vital — Analista Geopolítico
JR Vital
JR Vital Analista Geopolítico
● Fato Verificado

Jornalista do Diário Carioca.

Rio de Janeiro – Transformar a apreensão de fuzis em política pública de bonificação não é só um escárnio com os mortos pela letalidade policial. É também um gesto emblemático da aposta do governo do Rio de Janeiro em uma lógica de guerra interna. Cláudio Castro, governador bolsonarista de ocasião, acaba de oficializar o pagamento de R$ 5 mil por fuzil apreendido como prêmio à atuação da tropa de elite da Polícia Militar, o famigerado Bope.

O valor, segundo decreto assinado por Castro, será incluído no salário de maio, com pagamento previsto para junho. A bonificação se aplica a ações em serviço ou em “folga remunerada” — expressão que, na prática, estimula ainda mais as já turvas fronteiras entre o trabalho policial e os esquadrões da morte informais que operam sob conivência estatal.

No mês de maio, 26 policiais do Bope serão os primeiros agraciados com a nova política. Em vez de investir em inteligência, prevenção ou direitos, o governo do Rio escolheu premiar o uso da força.


Bônus do Bope por fuzis reforça política de confronto

Segundo Castro, a medida não seria apenas um “estímulo”, mas uma peça estratégica no plano de redução da letalidade policial. Um raciocínio curioso — premiar apreensões de armas em um dos estados com mais mortes por intervenção do Estado é, no mínimo, paradoxal. Em 2024, foram 732 fuzis apreendidos pelas forças estaduais. Só neste ano, até maio, a PM já confiscou 264.

Mas qual é o custo por trás dessa estatística? Quantas invasões de comunidades, quantos tiros de helicóptero, quantas crianças baleadas, quantas mães enlutadas?


Governo ignora impacto social das ações do Bope

Nada no decreto prevê acompanhamento psicológico da população afetada, indenizações por abusos ou auditorias independentes. O foco é exclusivo: resultado operacional — ou seja, armas, números, manchetes.

Fuzis são, de fato, armas de guerra. Mas o discurso de “tolerância zero” nunca foi aplicado aos cúmplices do tráfico infiltrados no próprio Estado. Policiais corruptos, milicianos de farda e agentes que vendem armas para o crime continuam operando com ampla liberdade — inclusive em gabinetes do poder.


Política de bônus alimenta lógica de guerra nas favelas

A recompensa financeira por apreensão de armamento é simbólica. Ela institucionaliza o incentivo à caça, transformando a atividade policial em competição por resultados — e não por justiça. Um tiro certo pode render R$ 5 mil. Já a tragédia anunciada de uma operação mal planejada vira estatística.

Em vez de atacar o tráfico pelas vias da lavagem de dinheiro, das redes de financiamento ou dos fluxos de armas, o governo do Rio prefere mirar o problema no atacado — na ponta da arma.


Onde estão os bônus por salvar vidas?

Na contramão do que prega qualquer política de segurança cidadã, Castro não oferece bônus por prisões feitas sem tiros, por operações com zero mortos, por denúncias de corrupção investigadas com rigor.

A militarização da segurança pública não é novidade no Rio. Mas o bônus de R$ 5 mil por fuzil é a oficialização da lógica que trata a cidade como território inimigo. E os moradores, como alvos em potencial.


O Carioca esclarece

O que é o bônus do Bope por fuzis?
É um valor de R$ 5 mil pago a policiais militares do Bope por cada fuzil apreendido durante operações em serviço ou em folga remunerada.

Quem instituiu o bônus e por quê?
O governador Cláudio Castro criou a gratificação como suposta estratégia para reduzir a letalidade e incentivar o combate ao armamento pesado.

Quais as consequências dessa política?
A medida reforça a lógica de guerra nas favelas e estimula abordagens violentas sem garantir redução real da violência ou responsabilização por abusos.

Como isso afeta a democracia e os direitos humanos?
A bonificação desvia o foco da segurança cidadã e institucionaliza práticas de confronto que desrespeitam o devido processo legal e os direitos da população periférica.

Parimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_online

Mais Notícias

Mais Lidas