Em um enredo que beira o surreal, o governo Lula precisou acionar sua diplomacia para resgatar um grupo de cerca de 40 políticos brasileiros — em sua maioria bolsonaristas — que estava encurralado em Israel, em plena escalada de guerra no Oriente Médio.
A comitiva, formada por prefeitos, vereadores, vice-prefeitos, secretários municipais e até acompanhantes de primeiras-damas, cruzou às pressas a fronteira terrestre com a Jordânia, de onde embarca de volta ao Brasil.
O grupo estava em Israel para participar da Expo Muni Israel 2025, um evento patrocinado pelo próprio governo sionista, que promove encontros sobre segurança, inovação e desenvolvimento urbano — ironicamente, em meio ao massacre da população palestina na Faixa de Gaza.
Lula resgata quem flertou com o caos
O governo brasileiro, por meio da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) e do Itamaraty, mobilizou todos os esforços para garantir a segurança dos integrantes da comitiva.
Em nota oficial, assinada pela ministra Gleisi Hoffmann, a SRI informou:
“Os prefeitos e outras autoridades municipais brasileiras que se encontravam em Israel já estão em território da Jordânia, em segurança, a caminho da capital, Amã, onde embarcarão de retorno ao Brasil.”
Segundo o comunicado, desde sábado (14), Gleisi Hoffmann manteve contato direto com o coordenador da delegação, o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (PSD), para garantir que todas as tratativas diplomáticas com Israel e Jordânia fossem efetivas.
O passeio virou pesadelo
O “passeio oficial”, organizado com apoio da Embaixada de Israel no Brasil, incluiu visitas a centros de comando, sistemas de monitoramento e projetos de segurança urbana em cidades como Haifa, Kfar Saba e Rishon Letzion.
Enquanto o mundo acompanha horrorizado o genocídio contra o povo palestino, os parlamentares e prefeitos brasileiros posavam sorridentes em fotos ao lado de autoridades israelenses, até que o conflito com o Irã transformou a viagem em uma corrida pela sobrevivência.
Primeira-dama do DF em pânico: “Quero ir embora”
Uma das cenas mais emblemáticas desse fiasco diplomático foi protagonizada pela primeira-dama do Distrito Federal, Mayara Noronha Rocha, esposa do governador Ibaneis Rocha (MDB).
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Mayara, visivelmente desesperada, narra o momento em que um míssil iraniano é interceptado próximo ao local onde ela e outros integrantes da comitiva estavam:
“Que isso, gente. Eu quero ir embora. Não quero ficar, não.”
Ela estava acompanhada dos secretários Marco Antônio Costa (Ciência, Tecnologia e Inovação), Rafael Bueno (Agricultura) e Ana Paula Soares Marra (Desenvolvimento Social), quando foi surpreendida pelas sirenes e teve que se abrigar em um bunker.
“Vi que um míssil se chocou com outro, ao ser interceptado por Israel. Na hora, só pensei em correr”, contou, dizendo ainda que a experiência foi espiritualmente marcante:
“Foi uma sensação horrorosa. Extremamente pesado e triste.”
Risco segue alto; outros brasileiros ainda estão em Israel
Segundo o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Israel, 41 brasileiros, entre autoridades e civis, ainda permanecem em solo israelense. Parte do grupo evacuado seguirá primeiro para a Arábia Saudita, antes de retornar ao Brasil.
Por razões de segurança, o itinerário detalhado não foi divulgado. O próprio governo de Israel, por meio de nota, confirmou que está colaborando na retirada dos brasileiros.
O silêncio sobre Gaza fala mais que mil palavras
Enquanto fugiam da guerra que até então ignoravam, os políticos brasileiros mantiveram absoluto silêncio sobre o genocídio em curso na Faixa de Gaza, preferindo se alinhar ao discurso do governo israelense.
Agora, paradoxalmente, precisam agradecer ao governo Lula, que acionou toda sua diplomacia — a mesma que eles tanto atacam — para garantir um retorno seguro ao Brasil.
O Carioca Esclarece
A participação da comitiva brasileira na Expo Muni Israel 2025 foi bancada pelo governo israelense, que mantém forte lobby sobre setores da extrema direita brasileira. A viagem aconteceu mesmo em meio ao agravamento do genocídio contra os palestinos.





