O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, propôs nesta quarta-feira, 1º de outubro de 2025, no Reino Unido, rever a interpretação de artigos cruciais da Convenção Europeia de Direitos Humanos (CEDH) com o objetivo de facilitar deportações e a extradição de criminosos estrangeiros. Sob crescente pressão do partido de ultradireita Reform UK, o líder trabalhista sinalizou que os instrumentos internacionais devem ser aplicados conforme “as circunstâncias atuais”, uma retórica perigosa que ameaça desmantelar as garantias legais fundamentais.
A medida, que busca uma resposta dura ao aumento da migração, pode abrir um precedente para o enfraquecimento dos direitos humanos no país.
A Pressão da Ultradireita e o Preço da Manobra Política
A proposta de Starmer é uma resposta direta ao avanço da ultradireita, em especial do partido Reform UK, que defende abertamente a saída do Reino Unido da CEDH. O primeiro-ministro busca capitalizar politicamente sobre a ansiedade pública em relação à migração, mesmo que a um custo elevado para os direitos fundamentais. A justificativa para rever as leis de deportações é dada sob a alegação de um aumento “sem precedentes” na migração.
Entretanto, organizações de direitos humanos alertam que essa flexibilização da CEDH pode enfraquecer garantias básicas, transformando o debate em uma manobra política perigosa. O caso específico de um brasileiro condenado por estupro que evitou a extradição reacendeu a discussão, mas críticos apontam que menos de 1% dos criminosos estrangeiros permanecem no país por motivos legais, o que sugere que a proposta é mais uma reação eleitoral do que uma solução pragmática e justa para a segurança.
O Risco de Rever a Convenção Europeia de Direitos Humanos
A Convenção Europeia de Direitos Humanos é um pilar da proteção legal na Europa, garantindo o direito à vida, a proibição de tortura e o direito a um julgamento justo. Ao sugerir rever sua aplicação para facilitar deportações, Starmer abre uma porta perigosa para a relativização desses direitos.
Essa posição, embora tente se equilibrar ao ressaltar que refugiados “genuínos” devem receber asilo, acaba por abraçar a lógica da ultradireita, que trata migrantes e solicitantes de asilo como ameaças, minando a autoridade moral do Reino Unido como defensor de normas internacionais. Além disso, a busca por soluções rápidas e retóricas para a deportação ignora as causas profundas da crise migratória e foca apenas em um endurecimento da lei que afeta, desproporcionalmente, os mais vulneráveis. É uma decisão que contradiz o histórico de defesa de direitos que o Partido Trabalhista historicamente representou.
Implicações Políticas e o Futuro das Deportações
A manobra de Keir Starmer coloca em xeque a posição progressista do Partido Trabalhista e revela a fragilidade das garantias legais sob pressão política. Contudo, a proposta de rever a interpretação da CEDH não significa necessariamente a sua saída, mas sim uma tentativa de contornar as proteções legais em vigor.
Por outro lado, a reação das organizações de direitos humanos reforça a necessidade de combater o discurso xenófobo e autoritário que utiliza casos isolados para justificar o enfraquecimento de legislações protetivas. Para o Diário Carioca, é fundamental que o debate seja conduzido com rigor factual e respeito às normas internacionais, evitando que a agenda da ultradireita dite o ritmo e o tom da política migratória. O Reino Unido tem a responsabilidade de equilibrar a segurança com o respeito inegociável aos direitos humanos.
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