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No Rio de Janeiro, Lula convoca o povo contra a “indústria da mentira” em 2026

Por Vanessa Neves Analista Política

O cenário era a Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, e o pretexto eram os 90 anos do salário mínimo, mas o discurso de Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (16) tinha um alvo muito mais imediato: as urnas de outubro. Entre uma ode a Getúlio Vargas e uma crítica ao valor de R$ 1.621, o presidente despejou um balde de realidade sobre seus apoiadores ao alertar para o “tsunami de desinformação” que ameaça o pleito deste ano.

Lula, que já sente o bafo da extrema-direita em seu encalço nas pesquisas Quaest, deixou claro que a reeleição não será decidida apenas no asfalto ou nas fábricas, mas nas profundezas obscuras dos algoritmos.

Para ele, a mentira institucionalizada tornou-se a mercadoria mais valiosa de seus adversários, e a passividade da esquerda pode ser o passaporte para o retorno do obscurantismo ao Planalto.

A fala de Lula no Rio soou como um manual de sobrevivência para a guerra híbrida que se avizinha. Ao mencionar a influência das redes sociais, o presidente não falava como um entusiasta da tecnologia, mas como uma vítima sobrevivente de 2018 e 2022.

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Ele sabe que, enquanto o governo discute o PIB e a CLT, a “máquina do ódio” — agora alimentada por uma inteligência artificial que fabrica realidades — trabalha para convencer o eleitor de que o progresso é miragem. O recado foi direto: não haverá vitória sem combate no território digital. Lula convocou sua base a não ser apenas espectadora, mas reagente, sob o risco de ver a história ser escrita por quem trata a verdade como um detalhe descartável em prol do poder.

A democracia brasileira sobreviverá a um segundo turno decidido por robôs e disparos em massa?

Será que a militância progressista está preparada para enfrentar o exército de Flávio Bolsonaro e dos governadores da direita, que herdaram a expertise de manipulação digital do clã? O alerta de Lula no Rio de Janeiro revela o temor de um governo que entrega números positivos na economia, mas perde a batalha da narrativa no WhatsApp.

O presidente entende que, em 2026, a “gestão da mentira” é tão eficiente quanto qualquer política pública de oposição. Se o salário mínimo de Getúlio foi a arma contra a miséria física, o combate à desinformação, na visão de Lula, é o salário mínimo moral necessário para que o eleitor consiga, ao menos, distinguir quem o defende de quem o explora.


O Tabuleiro de 2026: Entre o Bolso e o Bit

Desafio EleitoralA Ameaça IdentificadaA Estratégia de LulaO Veredito do Diário
DesinformaçãoAlgoritmos e Fake News.Mobilização e reação rápida.A verdade precisa de pernas para vencer o clique.
Cenário PolíticoFlávio Bolsonaro e Governadores.Relembrar as conquistas sociais.O “fantasma do pai” ainda assombra o debate.
EconomiaPercepção de “pouco” ganho.Vincular PIB ao salário mínimo.O estômago cheio é o melhor antídoto contra a mentira.
TerritórioRio de Janeiro (Base de oposição).Resgatar o trabalhismo varguista.Lula tenta reconquistar o RJ pelo simbolismo.

Lula está tentando nacionalizar a disputa estadual para pavimentar seu caminho, mas sabe que o campo de batalha está minado.

Ao usar o Rio — território onde o bolsonarismo ainda mantém trincheiras sólidas — para falar de mentiras eleitorais, ele busca vacinar o eleitor carioca contra o “vírus da manipulação”.

A questão é se o governo conseguirá ser tão veloz quanto os processadores que destilam o ódio. Se a “apologia à briga” pelo salário mínimo vale para o sindicato, Lula deixou claro que ela vale dobrado para o celular: em 2026, quem não postar, não ganha.

Vanessa Neves

Vanessa Neves é Jornalista, editora e analista de mídias sociais do Diário Carioca. Criadora de conteúdo, editora de imagens e editora de política.

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