quarta-feira, janeiro 21, 2026
22 C
Rio de Janeiro
InícioPolíticaSem mimimi: Gilmar Mendes nega domiciliar a Bolsonaro e golpista segue em cana na Papudinha
Tá chato

Sem mimimi: Gilmar Mendes nega domiciliar a Bolsonaro e golpista segue em cana na Papudinha

Por Vanessa Neves Analista Política

O sábado amanheceu com um balde de água gelada sobre as expectativas dos entusiastas do “golpismo de pijama”.

O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF) e mestre na arte de equilibrar o rigor técnico com o timing político, negou sumariamente o pedido de prisão domiciliar que visava retirar Jair Bolsonaro da cela de 65m² da Papudinha.

A decisão, proferida nesta manhã (17), não foi apenas uma negativa de mérito, mas uma lição de rito processual contra o que o jornalismo sério classifica como “ativismo de ocasião”.

Gilmar foi enfático: o Supremo não é balcão de negócios para advogados sem procuração, muito menos território para aventuras jurídicas que ignoram a hierarquia da Corte.

- Advertisement -

A estratégia do erro e o rito do decano

O pedido de habeas corpus, impetrado pelo advogado Paulo Emendabili Sousa Barros de Carvalhosa, nasceu com um vício de origem fatal. Gilmar Mendes destacou que a Corte não pode — e não deve — analisar pleitos formulados por quem não possui vínculo formal com a defesa técnica do condenado.

É o básico do Direito, frequentemente ignorado por aqueles que tentam transformar o processo penal em um espetáculo de rede social. Bolsonaro, que agora experimenta a “suíte monárquica” autorizada por Alexandre de Moraes, permanece onde está porque a lei, ao contrário da vontade de seus seguidores, exige legitimidade.

A manobra de encaminhamento do pedido também revela as engrenagens do STF em funcionamento. Na sexta-feira (16), Moraes, apontado no pedido como “autoridade coatora”, agiu com a prudência necessária ao se declarar impedido e encaminhar o caso ao decano.

Como a ministra Cármen Lúcia está em recesso, a batuta caiu nas mãos de Gilmar. Ao negar o pedido, o ministro protegeu não apenas o juiz natural, mas a própria lógica recursal do Supremo, impedindo que pedidos sucessivos contra ministros transformem a Corte em um labirinto de decisões contraditórias.

Entre o recesso e a realidade do cárcere

A decisão de Gilmar Mendes reforça que, mesmo sob a excepcionalidade do recesso, o Supremo não se curva a substituições indevidas de competência. O ex-presidente, que outrora desdenhou da liturgia do cargo, agora vê sua liberdade depender justamente da liturgia que seus apoiadores tentam atropelar.

PersonagemPapel no EpisódioDecisão/Ação
Gilmar MendesDecano do STFNegou o HC por falta de legitimidade técnica.
Alexandre de MoraesAutoridade CoatoraDeclarou-se impedido e enviou o caso ao decano.
Jair BolsonaroO PacienteSegue preso na Papudinha por decisão de Moraes.
Paulo CarvalhosaAdvogado ImpetranteAtuou sem vínculo com a defesa oficial do ex-presidente.

A métrica da segurança jurídica

A análise ácida deste episódio revela que a defesa de Bolsonaro — a oficial, pelo menos — sabe que o terreno é árido. Pedidos formulados por terceiros servem apenas para alimentar a narrativa de “perseguição” nas bolhas digitais, enquanto o rigor de Gilmar Mendes mantém a âncora da lei fixada no fundo do mar da realidade.

O decano não apenas negou uma domiciliar; ele reafirmou que o STF não aceita ser jogado contra si mesmo. Bolsonaro dormirá mais uma noite na cela da PM, lembrando-se de que, no jogo do poder, quem ignora o rito acaba devorado pelo próprio processo que tentou subverter.

Estaria o “Messias” abandonado pela própria técnica ou apenas sendo vítima do amadorismo daqueles que dizem defendê-lo?

Vanessa Neves

Vanessa Neves é Jornalista, editora e analista de mídias sociais do Diário Carioca. Criadora de conteúdo, editora de imagens e editora de política.

Parimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_onlineParimatch_Cassino_online

Mais Notícias

Em Alta:

Mais Lidas