quarta-feira, janeiro 21, 2026
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Lula abdica do “império das MPs” para costurar a governabilidade no Congresso

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Em um cenário político onde a força da caneta presidencial costuma ser medida pela capacidade de impor decisões imediatas, Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o caminho da moderação estratégica. Em 2025, o governo editou apenas 45 Medidas Provisórias (MPs), o patamar mais baixo desde o início da atual gestão em 2023.

Para quem observa de fora, pode parecer uma retração de poder; para quem conhece os bastidores de Brasília, trata-se de um movimento de mestre no tabuleiro da sobrevivência democrática.

Ao reduzir o uso do instrumento — que tem força de lei mas é visto como uma invasão de competência pelos parlamentares —, Lula cumpre o pacto selado com a Câmara e o Senado: menos decretos, mais Projetos de Lei (PLs) com urgência constitucional.

A estratégia é clara: desarmar a bomba relógio dos “atritos institucionais” que marcaram gestões anteriores, onde a MP era usada como um porrete sobre a cabeça do Congresso. Em 2024, foram 80 medidas; em 2023, 51.

A queda para 45 sinaliza que o governo prefere a segurança jurídica de uma lei votada e debatida à fragilidade de uma MP que, como as 12 que caducaram em 2025, pode evaporar após 120 dias se não encontrar o aval dos deputados e senadores.

É a política do “ganha-ganha”: o Congresso sente-se valorizado em sua função legisladora e o Planalto evita o desgaste de ver suas prioridades naufragarem por pura birra corporativa das casas.

A urgência como antídoto ao autoritarismo

A redução das MPs é o oposto do que se vê em Washington, onde Donald Trump ameaça usar a Lei da Insurreição para contornar governadores. Enquanto o império flerta com o estado de sítio, o Brasil de Lula tenta estabilizar o rito republicano.

Ao priorizar os Projetos de Lei em regime de urgência, o governo mantém a celeridade necessária para as reformas sociais — como as que garantem o funcionamento do programa de streaming público Tela Brasil ou o combate às milícias digitais — sem o estigma de estar “governando por decreto”. Das 45 editadas, 23 ainda tramitam, provando que o diálogo é um exercício constante de paciência e negociação de cargos e emendas, o combustível real da nossa democracia de coalizão.

O balanço da “dieta” legislativa em 2025

  • O Número: 45 MPs editadas (redução drástica frente às 80 de 2024).
  • O Resultado: 9 convertidas em lei, 12 caducaram e 1 foi revogada.
  • A Justificativa: Prioridade aos Projetos de Lei com urgência constitucional.
  • O Objetivo: Reduzir a temperatura no Congresso e evitar derrotas simbólicas no plenário.

A análise dos dados revela que o governo Lula aprendeu a ler as nuvens do Congresso Nacional. Governa-se melhor quem divide a glória da autoria das leis com quem tem o poder de derrubá-las.

Enquanto a elite financeira e os “milicianos do clique” tentam vender a imagem de um governo enfraquecido, a queda no uso das MPs mostra um Executivo que não precisa de muletas autoritárias para manter o país nos trilhos.

A “caneta” continua lá, pronta para ser usada em emergências, mas, para o cotidiano da reconstrução nacional, Lula parece ter descoberto que a conversa no cafezinho do Congresso é muito mais duradoura do que o Diário Oficial assinado solitariamente na madrugada do Planalto.

O muro de tarifas: União Europeia convoca emergência contra pirataria ártica do Regime Trump

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A diplomacia das capitais europeias foi arrancada do descanso dominical pelo estalo de um chicote vindo da Casa Branca. Às 17h (horário local), embaixadores da União Europeia (UE) reúnem-se em caráter de urgência para tentar costurar uma colcha de retalhos que proteja o continente da fúria tarifária de Donald Trump.

O pretexto de Washington é tão exótico quanto brutal: punir os países que enviaram tropas à Groenlândia para garantir a soberania dinamarquesa e a proteção de recursos minerais. Sob a presidência rotativa de Chipre, o bloco discute como reagir a um aliado que se comporta como um agiota de geopolítica, exigindo a entrega de territórios soberanos em troca do direito de vender queijos, vinhos e automóveis no mercado americano.

A escalada anunciada por Trump — 10% de tarifa em fevereiro, saltando para 25% em junho — não é apenas um ajuste fiscal, é um garrote. A medida mira especificamente as nações da Otan que participam da operação Arctic Endurance, deixando claro que, para o governo Trump, a aliança militar só serve se for para chancelar a expansão territorial dos EUA.

Como bem profetizou Jean-Luc Mélenchon horas antes, a “Otan está morta” no momento em que seu líder utiliza o sistema financeiro para canibalizar a integridade territorial de seus próprios parceiros. Bruxelas agora se vê diante do espelho da história: ou aceita a vassalagem comercial ou assume o risco de uma guerra comercial de proporções globais para defender o gelo da Groenlândia.

A extorsão como política de Estado

O mecanismo da ameaça de Trump é o “manual da asfixia” já testado na Venezuela, agora aplicado com verniz europeu. Ao condicionar a suspensão das tarifas a um “acordo para a compra completa da ilha”, Trump remove a máscara da segurança nacional e expõe a face da pilhagem. Ele quer o solo groenlandês para o seu Domo Dourado e para as reservas de urânio, e não hesitará em desestabilizar as economias de França, Alemanha e Reino Unido para obtê-los.

A reunião emergencial em Bruxelas é o reconhecimento de que o diálogo civilizado foi substituído por uma mesa de negociações onde uma das partes está armada com o poder de destruir cadeias produtivas inteiras.

O arsenal da resistência europeia em pauta:

  • Tarifas de Retaliação: O bloco estuda aplicar impostos equivalentes sobre produtos icônicos de estados americanos que sustentam a base eleitoral de Trump.
  • Queixa na OMC: Um movimento jurídico que, embora lento, tenta manter a fachada da ordem internacional contra o “nós podemos tudo”.
  • Autonomia Estratégica: A aceleração de acordos comerciais com a China e o Sul Global para diminuir a dependência do dólar e do mercado ianque.
  • Frente da Groenlândia: O apoio financeiro direto à Dinamarca para neutralizar o impacto das sanções sobre o governo local.

A ironia trágica desta crise reside na seletividade democrática de Washington. Enquanto a Casa Branca recebe presentes de quem clama pela liberdade na Venezuela, ela impõe o cerco econômico a países que apenas defendem que uma ilha não deve ser vendida como um ativo de luxo.

Se o império consegue dobrar a Europa através da fome de lucro das suas empresas, a soberania do Velho Continente terá sido enterrada nas mesmas geleiras que Trump pretende perfurar.

O veredito da reunião de hoje dirá se a UE ainda é um bloco de nações ou se tornou-se, oficialmente, o quintal de um cassino onde o crupiê usa o boné “Make America Great Again”.

Pilhagem sob o manto da ordem: como as sanções dos EUA derreteram o PIB e a dignidade na Venezuela

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A diplomacia das canetadas em Washington provou ser mais letal que muitos bombardeios. Neste domingo, enquanto Donald Trump reafirma que “nós podemos tudo” e mira a Groenlândia, o rastro de destruição econômica na Venezuela oferece o retrato fiel do que significa ser uma “ameaça extraordinária” aos interesses do império.

O cerco econômico, iniciado por Obama e radicalizado por Trump, não é apenas um conjunto de medidas burocráticas; é uma arma de destruição em massa do tecido social.

Ao asfixiar a indústria petroleira — responsável por 95% das receitas do país — e congelar US$ 1,2 bilhão em ouro no Banco da Inglaterra, os EUA e seus satélites europeus aplicaram um torniquete que consumiu 75% do PIB venezuelano em menos de uma década.

Como bem destaca a economista Juliane Furno, o objetivo é cristalino: gerar o caos para colher o poder. Ao impedir o refinanciamento da dívida e bloquear canais bancários, Washington empurrou a Venezuela da inflação alta para o abismo da hiperinflação em 2017.

O cinismo atinge o ápice quando se observa que a crise migratória de 7,5 milhões de pessoas — usada por Trump para justificar a construção de muros e o uso da Lei da Insurreição em Minnesota — é alimentada diretamente pela miséria que as próprias sanções americanas fabricaram.

É a política do incêndio seguido pela oferta de venda do extintor, desde que o comprador entregue as chaves de casa.

Donald Trump - Foto de thenews2.com
Donald Trump – Foto de thenews2.com

O confisco da Citgo e a pirataria moderna

O ápice do desrespeito ao direito internacional ocorreu no final de 2025, com a liquidação da Citgo pela justiça dos EUA.

O que Caracas classifica como “roubo” é, tecnicamente, um ato de pirataria estatal: o patrimônio de uma nação soberana foi retalhado para satisfazer credores internacionais, enquanto os dividendos que deveriam financiar hospitais e escolas na Venezuela foram desviados para sustentar fantoches políticos.

Enquanto María Corina Machado entrega medalhas de ouro a Trump em Washington, o povo venezuelano vê o seu ouro real ser sequestrado por quem professa a “defesa da democracia”.

Marina Corina Machado
Marina Corina Machado

A anatomia do bloqueio a Venezuela e seus efeitos

  • Pilhagem de Ativos: Confisco de 31 toneladas de ouro em Londres e liquidação da Citgo nos EUA.
  • Asfixia Energética: Queda drástica na produção de petróleo devido à proibição de importação de insumos e peças.
  • Isolamento Bancário: Bloqueio do sistema SWIFT e suspeição de qualquer transação financeira vinculada ao país.
  • Consequência Humana: Hiperinflação, desabastecimento de remédios e êxodo de 20% da população.

A resistência dos números e a falácia da “ameaça”

A prova de que a crise é induzida por fatores externos reside na recuperação observada entre 2022 e 2025. Bastou um leve relaxamento das sanções para que o PIB venezuelano voltasse a crescer 8,5% (2024) e 6,5% (2025), segundo a Cepal. Contudo, a volta de Trump ao poder e a retomada da “pressão máxima” prometem um novo ciclo de agonia.

Nicolás Maduro (Foto: Reprodução/Truth Social/@realDonaldTrump)
Nicolás Maduro (Foto: Reprodução/Truth Social/@realDonaldTrump)

O argumento de que a Venezuela representa uma “ameaça incomum” à segurança dos EUA — uma nação com o maior orçamento militar da história — seria cômico se não fosse trágico. A única ameaça que a Venezuela representa é a de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo e não permitir que elas sejam geridas por conselhos de administração em Houston.

PeríodoAção dos EUA / EventoImpacto na Economia Venezuelana
2014Queda do petróleo (-70%)Início da recessão e desabastecimento.
2017Sanções de “Pressão Máxima”Consolidação da hiperinflação em dezembro.
2019-2020Bloqueio total e confisco de ativosPerda de US$ 11 bilhões em receitas anuais.
2024-2025Relaxamento parcial (Biden)Recuperação do PIB (8,5% e 6,5%).

O roteiro que Trump agora tenta aplicar à Europa e à Dinamarca foi testado e refinado em Caracas. O uso do dólar como arma de guerra e o desrespeito à soberania territorial são as marcas de um império que, ao perder a hegemonia produtiva, recorre ao sequestro de bens alheios.

Se o economista Francisco Rodríguez alerta que a volta das sanções expulsará mais 1 milhão de pessoas do país, Trump vê nisso não um drama humano, mas uma oportunidade política para militarizar fronteiras.

Na mesa de poker de Washington, a Venezuela é o prêmio que eles tentam ganhar no grito, enquanto o mundo assiste ao derretimento de uma nação em nome de uma liberdade que só existe nos discursos da Casa Branca.

Com informações da Agência Brasil

Coturnos no gelo: Regime de Trump mobiliza o exército contra o próprio povo e ressuscita lei de 1807

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A democracia americana, aquela que Roger Waters define como um balcão de negócios, acaba de ganhar um novo adereço: o cano de um fuzil apontado para o peito de seus próprios cidadãos. Neste domingo, o Pentágono confirmou que 1,5 mil soldados da 11ª Divisão Aerotransportada — especialistas em guerra no frio — estão de prontidão para marchar sobre Minnesota.

O motivo? Donald Trump flerta abertamente com a Lei da Insurreição, uma relíquia autoritária de 1807, para calar o luto de uma comunidade que não aceita o assassinato de Renee Nicole Good. A poetisa e cidadã americana de 37 anos foi executada por agentes do ICE (Serviço de Imigração) em plena manifestação, provando que, sob o atual regime, a cidadania é um escudo de papel diante da farda.

Trump, que utiliza a rede Truth Social como seu diário de bordo absolutista, acusa as autoridades locais de “incapacidade” para proteger seus agentes de imigração. Na prática, o presidente tenta transformar um estado soberano da federação em um território ocupado, atropelando o governador Tim Walz e a própria Constituição.

A mobilização de tropas federais para funções policiais é um desafio direto à Lei Posse Comitatus, mas para um líder que afirma “nós podemos tudo” enquanto tenta comprar a Groenlândia e leiloar assentos em conselhos da paz, a legalidade é apenas um detalhe que seus advogados tentarão contornar.

A lei de 1807 contra o direito de 2026

A invocação da Lei da Insurreição é o “botão nuclear” da política interna. Historicamente usada para combater a Ku Klux Klan ou conter distúrbios civis massivos, ela ressurge agora não para proteger minorias, mas para blindar o braço armado do Estado contra a indignação popular.

O cenário em Minneapolis e St. Paul é de um barril de pólvora: de um lado, a juíza federal Kate Menendez tenta impor limites ao uso de gás lacrimogêneo e prisões arbitrárias; do outro, o Marine One de Trump sobrevoa a crise com a promessa de uma intervenção militar que ignora o pacto federativo.

A escalada do autoritarismo doméstico

  • A Prontidão: 1,5 mil soldados da infantaria do Alasca aguardam a ordem de deslocamento.
  • O Gatilho: A morte de Renee Good, uma cidadã baleada pelo ICE, que gerou revolta nacional.
  • A Chantagem: Trump usa a ameaça militar para dobrar governadores “recalcitrantes” que questionam suas operações de imigração.
  • O Conflito Jurídico: Minnesota processa o governo federal por violações constitucionais flagrantes.

O espelho da Groenlândia no quintal de casa

Não é coincidência que Trump mobilize tropas no Alasca ao mesmo tempo em que ameaça a Dinamarca por causa da Groenlândia. A mentalidade é a mesma: o uso da força militar como ferramenta primária de negociação.

Se no Ártico ele quer recursos minerais, em Minnesota ele quer a submissão ideológica. A “segurança nacional” tornou-se o guarda-chuva retórico para qualquer arbitrariedade, seja anexar uma ilha ou sitiar uma cidade americana. O governador Tim Walz, ao colocar a Guarda Nacional de sobreaviso, tenta evitar o pior, mas sabe que, contra a canetada de um presidente que se sente um monarca, o federalismo americano está na UTI.

Abaixo, a linha de frente de um conflito que pode redefinir o conceito de “democracia” nos EUA.

Ator PolíticoPosição na CriseAção Imediata
Donald TrumpDefensor da Lei da Insurreição.Põe exército em prontidão e ameaça intervenção direta.
Pentágono“Planejamento Prudente”.Mobiliza 1,5 mil soldados da 11ª Divisão Aerotransportada.
Tim Walz (Gov. MN)Defensor da autonomia estadual.Aciona a Justiça contra o governo federal e mobiliza Guarda Nacional.
Kate Menendez (Juíza)Garantista constitucional.Proíbe uso de táticas de guerra contra civis pacíficos.

O que estamos presenciando em Minnesota é o laboratório de um novo tipo de gestão pública, onde a dissidência é tratada como insurgência e o luto como crime. Se Trump cruzar a linha e enviar o exército para as ruas de Minneapolis, ele não estará apenas “restaurando a ordem”, mas confirmando o vaticínio de Roger Waters: a democracia americana é uma carcaça vazia, onde o poder emana do fuzil e não do povo.

Renee Good, morta por um Estado que esqueceu sua função, tornou-se o símbolo de um país que prefere enviar soldados ao diálogo e leis de 1807 à justiça de 2026.

O óbito da Otan: Mélenchon convoca a Europa para o levante contra o império das tarifas

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A diplomacia de bombardeio tarifário de Donald Trump finalmente conseguiu o que décadas de debates teóricos não alcançaram: a certidão de óbito da Otan assinada pela realidade. Neste domingo, Jean-Luc Mélenchon, a voz mais potente da esquerda francesa, não usou eufemismos para descrever o estado clínico da aliança transatlântica: “A Otan está morta”.

A declaração, disparada como um obus nas redes sociais, é a resposta ríspida à audácia imperialista de Trump, que agora condiciona a paz comercial do continente à entrega da Groenlândia. Para Mélenchon, o tempo da vassalagem acabou; ou a Europa se organiza como um bloco soberano de recusa, ou será devorada pelo apetite imobiliário de um presidente que confunde geopolítica com monopólio.

O ultimato de Trump, que prevê um garrote econômico de 10% a partir de fevereiro — subindo para 25% em junho — contra os “europeus recalcitrantes”, é o maior teste de dignidade para o eixo Paris-Berlim desde a Segunda Guerra. Ao tentar comprar a Groenlândia à força para instalar seu bilionário “Domo Dourado” de US$ 175 bilhões, Washington deixa claro que os aliados são, na verdade, apenas geografia disponível para suas armas e recursos.

Mélenchon percebe o que muitos liberais ainda tentam ignorar: a Otan não é mais um guarda-chuva de proteção, mas um torniquete que asfixia a autonomia europeia em favor de uma corrida armamentista espacial e nuclear centrada no controle de urânio e terras raras do Ártico.

O Domo Dourado e o preço da liberdade dinamarquesa

A obsessão de Trump pela ilha de 56 mil habitantes não é movida por um espírito de fraternidade ártica, mas pela ganância mineral e militar. O “Domo Dourado”, projeto faraônico que o magnata quer entregar até 2029, exige o solo groenlandês como base de lançamento e monitoramento. Enquanto comunidades indígenas resistem à exploração de petróleo e gás em defesa do ecossistema, Trump oferece o “acordo” de um agiota: a venda total da ilha ou a destruição das economias de Dinamarca, Noruega, França e Alemanha. É o “fazer o que deve ser feito” de um império que, nas palavras de Mélenchon, agride para anexar.

A anatomia da ruptura transatlântica

  • O ultimato: Tarifas de 10% a 25% como punição pela soberania alheia.
  • O ativo: Urânio, ouro e o controle estratégico entre EUA e Rússia.
  • A tese de Mélenchon: A França deve liderar o “front do leste” europeu contra a vassalagem.
  • A morte da Otan: A aliança tornou-se um instrumento de extorsão comercial e expansão colonial.

A resistência de Mélenchon ecoa a insatisfação de um continente que não quer ser o campo de batalha de uma nova Guerra Fria alimentada por delírios de grandeza imobiliária. Se a Groenlândia integra o Reino da Dinamarca desde 1953, a tentativa de compra por “razões estratégicas” é um regresso ao século XIX, onde territórios eram permutados como gado. O líder francês convoca uma reavaliação das certezas do passado: a ideia de que os EUA são os “garantes da democracia” derrete mais rápido que as geleiras sob o sol das sanções de Trump.

País Alvo de TrumpPosição EstratégicaResposta de Mélenchon / Esquerda
DinamarcaProprietária da Groenlândia.Defesa da soberania constitucional imediata.
FrançaPotência nuclear e líder diplomático.Formação de uma Frente Europeia de Recusa.
Noruega/SuéciaVizinhos árticos sob ameaça direta.Militarização soberana fora do eixo da Otan.
AlemanhaMotor econômico alvo de tarifas.Ruptura com a dependência de segurança dos EUA.

O cenário de 2026 desenha um mundo onde o “nós podemos tudo” de Trump encontra a resistência de quem não aceita ser sócio minoritário de um desastre anunciado. A morte da Otan, decretada por Mélenchon, é o reconhecimento de que não há aliança possível com quem aponta uma arma tarifária para o peito do aliado enquanto tenta roubar o chão sob seus pés. Se a França assumir a liderança desse front de recusa, o império de Trump poderá descobrir que o gelo da Groenlândia é muito mais duro de quebrar do que os contratos que ele está acostumado a rasgar.

Tela Brasil: Governo Lula lança streaming gratuito para libertar o cinema brasileiro do gueto comercial

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Enquanto as gigantes do streaming internacional operam como curadoras do gosto alheio, empurrando enlatados de estética padronizada goela abaixo do espectador brasileiro, o Estado retoma o controle da própria narrativa. Neste domingo, o Governo Federal lançou oficialmente o Tela Brasil, uma plataforma pública e gratuita de streaming que promete ser o antídoto contra o apagamento cultural. Desenvolvido pelo Ministério da Cultura em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), o serviço nasce com a missão de transformar o audiovisual nacional em um bem comum, retirando obras clássicas e contemporâneas das prateleiras empoeiradas dos arquivos e entregando-as na palma da mão da população. Para acessar, o cidadão não precisa de cartão de crédito internacional; basta o login gov.br — a identidade digital a serviço da identidade cultural.

O lançamento do Tela Brasil não é um movimento isolado, mas uma reação estratégica à era do imperialismo digital. Em um momento em que produções como Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto — que valeu a Wagner Moura um Globo de Ouro e a aclamação no Daily Show — recolocam o Brasil no centro do mapa estético global, a criação de uma janela pública é um ato de soberania. A plataforma funciona como uma vitrine para documentários, animações e séries que muitas vezes são ignoradas pelas plataformas comerciais, que privilegiam o lucro imediato em detrimento da profundidade histórica. Ao disponibilizar o aplicativo na Play Store (ainda em fase de aprimoramento), o governo sinaliza que a cultura não é um luxo para assinantes de planos premium, mas um direito fundamental.

A descolonização do olhar e o fim do pedágio cultural

A proposta do Tela Brasil vai além do entretenimento; é um exercício de descolonização do olhar. Ao oferecer acesso gratuito, o governo combate o fosso social que separa o povo da sua própria história. Enquanto as milícias digitais se ocupam em manipular vídeos para dizer que o pobre não deve estudar, a realidade do MinC sob a gestão atual é de expansão: o filho da empregada agora tem acesso à universidade e, nas horas vagas, tem acesso ao cinema que o representa, sem precisar pagar mensalidade para bilionários do Vale do Silício. A parceria com uma universidade federal (Ufal) reforça o caráter acadêmico e técnico da iniciativa, garantindo que a tecnologia esteja atrelada ao desenvolvimento nacional.

O novo mapa da democratização audiovisual

  • Acesso Simplificado: Integração com o gov.br, eliminando barreiras burocráticas e financeiras.
  • Curadoria Nacional: Foco exclusivo em produções brasileiras, fortalecendo a indústria local.
  • Soberania Digital: Uma alternativa pública frente ao monopólio das gigantes americanas.
  • Educação pelo Olhar: Documentários e obras clássicas disponíveis para estudantes de todo o país.

Abaixo, a comparação entre o modelo de consumo imposto pelo mercado e a nova proposta de estado.

CaracterísticaStreaming Comercial (Netflix/Disney)Tela Brasil (Público)
Custo ao UsuárioMensalidades crescentes em dólar.Gratuito (Custeado pelo fundo de cultura).
Foco de ConteúdoBlockbusters estrangeiros e algoritmos.Identidade, história e diversidade brasileira.
Requisito de AcessoDados bancários e cartão de crédito.Login gov.br (Identidade Cidadã).
Objetivo FinalLucro dos acionistas e exportação cultural.Democratização e fortalecimento da indústria nacional.

A fase “em aprimoramento” do aplicativo é o prenúncio de uma nova era. É claro que as viúvas do desmonte cultural e os porta-vozes do capital estrangeiro tentarão rotular a iniciativa como “intervenção estatal”. No entanto, para quem entende que um país sem cinema é um país sem rosto, o Tela Brasil é o espelho necessário. O cinema brasileiro sobreviveu ao obscurantismo e agora ganha uma casa própria, digital e aberta. Que as telas do Brasil se iluminem com a nossa própria luz, e que o algoritmo da soberania prevaleça sobre a ditadura do clique lucrativo.

O massacre do aço: Volta Redonda atropela um Flamengo à deriva e assume a ponta no Rio

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O futebol, em sua infinita capacidade de punir a soberba e a desorganização, ofereceu na noite deste sábado um espetáculo de competição contra a inércia. No Raulino de Oliveira, o Volta Redonda não apenas venceu; o “Esquadrão de Aço” desmantelou o que restava da pose aristocrática do Flamengo. Com uma vitória por 3 a 0, construída com inteligência e aproveitando a precocidade de uma expulsão que escancarou o despreparo mental rubro-negro, o Voltaço assumiu a liderança isolada da Taça Guanabara. Enquanto o time da Cidade do Aço ostenta 100% de aproveitamento, o Flamengo de 2026 parece um transatlântico sem leme, estacionado com um mísero ponto em três jogos e vendo o abismo da tabela de perto.

A tragédia carioca do Flamengo começou a ser escrita logo aos 10 minutos, quando Carbone, em um lance de imprudência juvenil, foi expulso e deixou seus companheiros à mercê do calor de Volta Redonda e da organização do time da casa. O Voltaço, que não pratica a caridade esportiva, leu o jogo com precisão cirúrgica. MV abriu o caminho, Dener ampliou o domínio e Rafael selou a goleada, transformando o Raulino em um caldeirão de euforia amarela e preta. Para o Flamengo, o placar não é apenas um revés estatístico; é o sintoma de um planejamento que, até agora, só produziu desculpas e um futebol de baixíssima voltagem.

O clássico da sobrevivência e a liderança de aço

O contraste entre as duas gestões é gritante. O Volta Redonda, com um orçamento que não paga sequer o café da manhã das estrelas da Gávea, lidera o Grupo A com a autoridade de quem sabe o que faz com a bola nos pés. Já o Flamengo, que se vangloria de seu poderio financeiro, amarga a quinta posição do Grupo B, transformando o próximo “Clássico dos Milhões” contra o Vasco em uma desesperada luta pela sobrevivência. Se o “Esquadrão de Aço” vai ao Nilton Santos enfrentar o Botafogo com a moral nas nuvens, o Rubro-Negro entra no Maracanã com o peso de uma crise que ameaça derreter sua temporada antes mesmo do Carnaval.

A anatomia da derrocada rubro-negra

  • Indisciplina Fatal: A expulsão de Carbone aos 10 minutos inviabilizou qualquer estratégia tática viável.
  • Eficiência Operária: O Volta Redonda finalizou com precisão, expondo a lentidão da recomposição defensiva do Fla.
  • Crise de Identidade: O Flamengo não consegue ditar o ritmo nem contra adversários de menor investimento, perdendo a “aura” de dominante.
  • Tabela Impiedosa: Com apenas 1 ponto em 9 disputados, o risco de ficar fora das semifinais deixa de ser um temor e vira uma possibilidade real.

A vitória do Voltaço é o triunfo do trabalho sobre o nome impresso na camisa. Em um campeonato tantas vezes acusado de ser um “jogo de cartas marcadas”, o resultado de ontem serve para lembrar que o dinheiro compra títulos, mas não compra a alma de um time em campo. O Flamengo, mergulhado em uma arrogância que não se traduz em gols, agora precisa olhar para o espelho e decidir se quer ser um protagonista ou apenas um figurante de luxo em um Cariocão que já coroou seu novo rei provisório.

Abaixo, a situação dramática que coloca o “Mais Querido” em rota de colisão com o próprio fracasso.

EquipePontosAproveitamentoPróximo DesafioCenário
Volta Redonda6100%Botafogo (N. Santos)Líder isolado e sensação do torneio.
Flamengo111%Vasco (Maracanã)Crise instalada e risco de lanterna.
Fluminense350%Nova Iguaçu (Laranjeiras)Tentando se recuperar do tropeço.

O futebol carioca de 2026 começa a desenhar uma hierarquia inesperada. Enquanto o luxo da capital tropeça nas próprias pernas, o aço do interior mostra que está temperado para grandes conquistas.

O Flamengo terá no Clássico dos Milhões a sua última chance de evitar que o mês de janeiro se torne um velório antecipado de suas ambições. Já o Voltaço, líder por mérito e audácia, prova que o interior do Rio é muito mais do que um destino de veraneio: é onde se joga o futebol mais sério do estado no momento.

“Nós podemos tudo”: Trump atropela a diplomacia e coloca preço na soberania da Groenlândia

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O Salão Oval de 2026 mais parece a mesa de um cassino onde as fichas são territórios soberanos e o direito internacional é apenas um incômodo para os algoritmos do capital. Neste domingo, Donald Trump elevou o tom da sua cruzada expansionista ao afirmar, com a sutileza de um tanque, que “não há qualquer coisa que a Dinamarca possa fazer” para impedir o controle dos EUA sobre a Groenlândia.

Para Trump, a ilha não é uma nação autônoma sob a coroa dinamarquesa, mas uma “peça de segurança nacional” que, se não for tomada por Washington, cairá no colo da Rússia ou da China. A frase “nós podemos tudo” ressoa como o epitáfio da diplomacia multilateral, enterrando décadas de cooperação em troca de uma “Pax Americana” baseada na força bruta.

A bordo do Air Force One, o presidente não apenas reafirmou seu desejo de anexação, como revelou o método de tortura econômica para os aliados: tarifas progressivas de até 25% sobre oito países europeus que se atreverem a apoiar a soberania de Copenhague. A Europa reagiu enviando militares na operação Arctic Endurance, transformando o gelo em uma trincheira geopolítica. Mas para Trump, cercado por conselheiros que veem o Ártico como o alicerce de seu “Domo de Ouro” antimísseis, a Groenlândia é um ativo imobiliário que Washington persegue há cem anos — e ele não pretende ser o presidente que perdeu o lance final.

O beija-mão venezuelano e a medalha do paradoxo

Enquanto Trump estica a corda com a Dinamarca, a Casa Branca serviu de palco para um simbolismo de gosto duvidoso. A opositora venezuelana María Corina Machado, em uma visita sem a presença da imprensa, presenteou o presidente com a sua medalha original do Nobel da Paz de 2025, emoldurada em uma placa de agradecimento.

O gesto, descrito por críticos como “absurdo” e “condescendente”, tenta amarrar o destino da Venezuela ao suporte militar e político de Trump, que já declarou estar “no comando” do país após a captura de Nicolás Maduro.

A ironia é cortante: uma laureada pela “paz” entrega sua honraria a um líder que ameaça invadir aliados e impõe bloqueios econômicos para redesenhar o mapa-múndi.

O Comitê Nobel, em Oslo, apressou-se em esclarecer que o título de laureado é intransferível, mas para Trump, a medalha na parede é apenas mais um troféu em sua coleção de conquistas pelo método da intimidação. Enquanto María Corina fala em “irmandade”, o mundo observa o pragmatismo ianque usar a Venezuela como vitrine do que acontece com quem não se alinha aos seus interesses.

O tabuleiro da dominação em 2026

  • A Groenlândia: Vista como vital para o “Domo de Ouro”; Trump quer anexar para ser o 2º maior país do mundo.
  • A Chantagem: Tarifas de 10% a 25% contra Dinamarca, França, Alemanha e outros aliados “rebeldes”.
  • A Venezuela: Após a queda de Maduro, Trump mantém o país sob tutela, usando Machado como rosto diplomático.
  • O Argumento: “Segurança Nacional” justifica o atropelo de qualquer tratado ou autonomia local.

A ética do cifrão e o isolamento de Washington

O que Trump chama de “estratégia” é, na verdade, a mercantilização total das relações internacionais. Ao ignorar as fronteiras da Dinamarca e aceitar medalhas de paz enquanto planeja intervenções, a Casa Branca valida a tese de Roger Waters: o poder nos EUA é um produto que se compra e se vende. A Europa de Macron, agora em rota de colisão direta com Washington, começa a perceber que a OTAN de Trump não é uma aliança de defesa, mas um balcão de negócios onde o “aluguel” da proteção é pago com a entrega da soberania territorial.

Alvo de TrumpJustificativa OficialObjetivo Real
Dinamarca/Groenlândia“Segurança contra Rússia/China”Recursos minerais e base para o Domo de Ouro.
União Europeia“Proteção que não é paga”Forçar a aceitação da anexação via tarifas.
Venezuela“Restauração da Democracia”Controle total das reservas de petróleo e lítio.
Ucrânia“Não há mais prazo para acordo”Cessão de territórios para selar a paz de Putin.

A arrogância do “nós podemos tudo” é o sintoma de um império que perdeu a capacidade de convencer e agora só consegue coagir. Se a Dinamarca resistir, terá seu comércio asfixiado; se a Europa reagir, verá a OTAN implodir.

Trump joga o mundo em um cenário onde a única lei é a do mais forte, e o Nobel da Paz, nas mãos de quem prega a guerra tarifária, torna-se o símbolo definitivo da hipocrisia deste novo século. A Groenlândia pode ser coberta de gelo, mas o que Trump está derretendo é a própria ideia de civilização entre as nações.

É Fake que Lula disse que “Pobre não precisa Estudar”: Direita faz manipulação criminosa de vídeo

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A mentira, no laboratório da extrema direita brasileira, não é um erro de percurso; é o combustível de um projeto de poder que odeia o povo. A mais recente operação das milícias digitais, que utilizou um vídeo editado para sugerir que Luiz Inácio Lula da Silva seria contra o estudo para os pobres, beira o delírio psicótico de quem não tem currículo para apresentar e precisa fabricar a infâmia. Lula, o presidente que mais abriu as portas das universidades federais para a classe trabalhadora, agora é alvo daqueles que, há pouco tempo, aplaudiam a ojeriza de Paulo Guedes ao ver “empregadas domésticas indo para a Disney”. A elite do atraso, representada por figuras como Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e o decadente Roger Moreira, não suporta a ideia de meritocracia real: o filho da empregada competindo em pé de igualdade com o herdeiro inútil da madame.

Confira a integra da menção de Lula:

O alcance dessa fraude é um alerta de guerra. Quando um vídeo manipulado atinge a marca de 100 mil compartilhamentos — não visualizações, mas propagações deliberadas da mentira —, estamos diante de uma engrenagem de destruição de reputações que opera no vácuo da impunidade. Não houve um único bolsonarista preocupado em “dar palco” ao presidente; eles sabem que o estrago da fala falsa é o que alimenta o ódio cego. Enquanto isso, “coaches de militância” perfumados sugerem que ignoremos o fascismo para não lhe dar audiência. É uma tese que beira a cumplicidade. O fascismo não se ignora com elegância; o fascismo se combate com a força da verdade e o rigor da lei.

Agora veja a canalhice da direita burra brasileira:

https://twitter.com/i/status/2012694409867821216

O ressentimento da elite e o fantasma de Paulo Guedes

O que incomoda essa gente não é uma suposta fala de Lula, mas a realidade física de um país que se atreveu a sonhar alto. A “farra das domésticas” mencionada por Guedes era o sintoma de uma elite que se sente agredida quando os aeroportos e as salas de aula de medicina deixam de ser privilégios hereditários. Para os milicianos digitais, a mentira é a única arma capaz de apagar o fato de que foi sob os governos do PT que o Brasil viveu sua maior expansão educacional. Eles projetam em Lula o próprio desprezo que sentem pela base da pirâmide, tentando convencer o pobre de que seu maior aliado é, na verdade, seu inimigo.

Estratégia da FraudeObjetivo PolíticoAlvo Social
Edição MaliciosaDesidratar a popularidade de Lula.A classe trabalhadora desinformada.
Propagação por MilíciasCriar uma “verdade paralela” via WhatsApp/X.O eleitorado periférico e jovem.
Inversão NarrativaEsconder o corte de verbas da educação no governo anterior.Estudantes e beneficiários do ProUni/Fies.
Ataque à MemóriaFazer o povo esquecer o desprezo de Guedes e Bolsonaro.Famílias que ascenderam via educação.

A coordenação desses ataques, capitaneada por Carol de Toni e outros expoentes do atraso, revela que os bastidores dessa gente são movidos por um projeto de manutenção de castas. Eles sabem que o conhecimento liberta, e um povo liberto não aceita ser governado por quem flerta com a tortura e a entrega da soberania nacional. A tese de que o pobre “não nasceu para estudar” é o DNA da direita brasileira, que agora tenta, cinicamente, colar essa etiqueta em quem sempre lutou pelo contrário.

Ignorar essas mentiras sob o pretexto de “não dar palco” é um erro estratégico fatal. Se você compartilha a verdade, você quebra a bolha do ódio. O silêncio dos bons é o que permite que o grito dos mentirosos se torne o consenso das redes. Lula não é o inimigo do estudo; ele é o pesadelo de quem quer o Brasil como uma eterna fazenda colonial, onde o diploma é um luxo de poucos. O combate ao fascismo digital exige coragem para expor os rostos de quem lucra com o engano. Se a verdade dói para os milicianos, que ela seja dita em todos os cantos, até que o último vídeo editado seja desmascarado pelo peso da realidade.

foram citados nesta notícia: Luiz Inácio Lula da Silva, Paulo Guedes, Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Carol de Toni, Roger Moreira, Jair Bolsonaro, Palácio do Planalto.

Fluminense tropeça em Saquarema diante de um Boavista oportunista

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O Campeonato Carioca, com sua peculiar capacidade de expor as fragilidades dos gigantes em gramados alternativos, reservou ao Fluminense um sábado de cinzas antecipado no estádio Elcyr Resende. Sob o comando do auxiliar Max Cuberas — enquanto o elenco principal ainda calibra o fôlego para desafios maiores —, o Tricolor entregou uma atuação anêmica, marcada pela falta de inspiração e por um pragmatismo que beirou o tédio.

O Boavista, que não tem nada com o planejamento alheio, soube ser o operário do resultado: uma única bola alçada na área foi o suficiente para o zagueiro Gabriel Caran testar para as redes e garantir a primeira vitória do Verdão na competição.

O primeiro tempo foi um convite ao desinteresse. Duas equipes que pareciam mais preocupadas em não errar do que em criar, transformando os goleiros em meros espectadores privilegiados. A nota melancólica da etapa inicial não veio do placar, mas do departamento médico: Jhon Kennedy, a esperança de explosão ofensiva, deixou o campo lesionado nos minutos finais, ligando o alerta nas Laranjeiras. Sem o seu “Menino de Xerém”, o Fluminense perdeu o pouco de contundência que ainda ensaiava, voltando para o vestiário com a certeza de que o empate sem gols era o retrato fiel da mediocridade apresentada.

O castigo pelo alto e a trave da frustração

Na volta do intervalo, o Boavista demonstrou que a preleção no vestiário foi mais eficaz. No primeiro lance, a velha máxima do futebol puniu a desatenção tricolor: escanteio cobrado e Gabriel Caran, livre como se estivesse em um treino matinal, subiu para marcar. O gol foi o balde de água gelada em um Fluminense que já operava em baixa temperatura. A reação, tardia e desorganizada, limitou-se a chuveirinhos e uma cabeçada de Jemmes que carimbou o travessão aos 25 minutos — o único momento em que a torcida tricolor sentiu o cheiro do empate que nunca veio.

A derrota deixa o Fluminense estacionado com três pontos no Grupo A, o mesmo saldo que o Boavista agora ostenta no Grupo B. Mais do que os números na tabela, o que preocupa é a incapacidade do elenco alternativo de ditar o ritmo contra adversários de menor investimento. O futebol carioca, tantas vezes criticado pelo seu nível técnico, não perdoa quem entra em campo com a soberba da “pouca inspiração”. Max Cuberas terá que explicar por que o time foi tão inofensivo diante de um Boavista que apenas cumpriu o manual básico da sobrevivência em casa.

A anatomia do tropeço tricolor

  • Apatia Ofensiva: Poucas chances criadas e uma dependência excessiva de lances individuais que não ocorreram.
  • O Fator Jhon Kennedy: A lesão do atacante desestruturou o pouco de profundidade que o time possuía.
  • Vulnerabilidade Aérea: O gol sofrido logo no início do segundo tempo expôs a falta de comunicação da zaga reserva.
  • Gestão de Elenco: O planejamento de poupar titulares cobra seu preço quando os substitutos não entregam intensidade.

O próximo compromisso do Fluminense será na quinta-feira, contra o Nova Iguaçu, e a pressão por uma resposta convincente já começa a rondar as Laranjeiras. Se o objetivo do estadual é dar rodagem e testar peças, o teste de hoje em Saquarema reprovou quase todos. O Boavista, por sua vez, celebra os três pontos e se prepara para receber a Portuguesa, provando que, no Rio de Janeiro, o favoritismo é uma moeda que não tem valor quando a bola começa a rolar no interior.

Foram citados nesta notícia: Fluminense, Boavista, Gabriel Caran, Max Cuberas, Jhon Kennedy, Jemmes, Nova Iguaçu, Portuguesa.

O fantasma que saiu do armário: Wagner Moura disseca a herança maldita de Bolsonaro no “The Daily Show”

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A arte, quando dotada de consciência histórica, não se limita a entreter; ela serve como o espelho onde uma nação é obrigada a encarar suas próprias cicatrizes. Wagner Moura, em uma participação fulminante no programa americano The Daily Show nesta sexta-feira, elevou o debate sobre o Brasil a um patamar que a diplomacia de gabinete muitas vezes evita. Ao comentar o sucesso de “O Agente Secreto”, longa de Kleber Mendonça Filho que acaba de conquistar dois Globos de Ouro, Moura foi cirúrgico: a eleição do golpista Jair Bolsonaro em 2018 não foi um acidente, mas a “manifestação física dos ecos da ditadura” que nunca foram devidamente silenciados por um acerto de contas com o passado.

A tese de Moura é um soco no estômago da amnésia coletiva brasileira. Para o ator, a transição democrática de 1985 foi uma obra inacabada, um teatro de sombras onde os torturadores foram poupados pela Lei da Anistia de 1979. Essa “anistia de conveniência”, segundo ele, foi o útero que gestou a figura política de Bolsonaro, permitindo que valores autoritários fossem ressuscitados no século 21 sob o manto do processo eleitoral. Sem o apagamento sistemático da memória, um defensor da tortura jamais teria cruzado o umbral do Palácio do Planalto — teria sido, antes, um réu confesso nos tribunais da história.

A prisão do golpista e a pedagogia da memória

A conversa com o apresentador Jordan Klepper não foi apenas um exercício de nostalgia política, mas uma celebração da justiça tardia. Moura destacou que o Brasil finalmente começa a alinhar seus ponteiros com a ética ao encarcerar aqueles que atentaram contra a democracia. “Bolsonaro ele mesmo está agora preso”, lembrou o ator, sublinhando que este é o marco zero para uma nova fase da juventude brasileira, uma geração que agora pode ver que o crime contra a liberdade tem, sim, um custo. A prisão do ex-presidente é, na visão de Wagner, o remédio para o veneno da impunidade que infectou a política nacional por décadas.

O diagnóstico da amnésia institucional

  • A Lei da Anistia como Vilã: Para o ator, o perdão aos torturadores criou um vácuo moral que possibilitou a ascensão da extrema direita.
  • Arte como Reação: “O Agente Secreto” nasceu da perplexidade de artistas diante do retorno de valores fascistas ao cotidiano brasileiro entre 2018 e 2022.
  • O Valor da Punição: A responsabilização dos golpistas é vista como a única forma de garantir que o passado não se repita como farsa trágica.

O paralelo com a situação global é inevitável. Enquanto Roger Waters denuncia a plutocracia americana, Wagner Moura expõe a fragilidade das democracias que não têm coragem de lidar com seus monstros. Bolsonaro, no diagnóstico de Moura, é o “cadáver que esqueceu de apodrecer”, alimentando-se do silêncio de uma sociedade que foi induzida a esquecer o horror da caserna. A franqueza do ator no horário nobre da TV americana ressoa como um alerta: o fascismo é uma planta que cresce no escuro do esquecimento; a luz do julgamento é o único herbicida eficaz.

Abaixo, a linha do tempo que conecta o passado traumático ao presente de acerto de contas, conforme a análise do intérprete de “O Agente Secreto”.

Período HistóricoEvento ChaveConsequência na Memória
1979Lei da AnistiaImpunidade a torturadores e apagamento institucional.
1985Fim “formal” da DitaduraManutenção de ecos autoritários nas instituições.
2018Eleição de BolsonaroManifestação física do ressentimento e do fascismo.
2023-2026Prisão de GolpistasInício do alinhamento ético e pedagógico do Brasil.

Moura encerrou sua reflexão deixando claro que a luta pela democracia não termina na urna, mas na manutenção vigilante da memória. Sem justiça, a liberdade é apenas um intervalo entre dois golpes. Ao expor Bolsonaro como o subproduto de uma lei que “fez as pessoas esquecerem o quão ruim foi a ditadura”, Wagner Moura presta um serviço maior que sua própria obra cinematográfica: ele ajuda o Brasil a finalmente enterrar seus mortos e a manter seus algozes onde eles sempre deveriam ter estado — atrás das grades e nos rodapés infames da história.

Foram citados nesta notícia: Wagner Moura, Jair Bolsonaro, Kleber Mendonça Filho, Jordan Klepper, The Daily Show, Globo de Ouro.

A toga contra o coturno: juíza federal impõe freio à barbárie da imigração em Minnesota

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A sanha repressiva que se tornou a marca registrada das agências federais sob o comando da nova ordem em Washington encontrou um obstáculo jurídico em Minnesota. A juíza federal Kate Menendez emitiu uma liminar que funciona como um respiradouro em meio à fumaça do gás lacrimogêneo: a partir de agora, os agentes do Departamento de Segurança Interna (DHS) estão proibidos de utilizar táticas de guerra — como munições de “controle de multidões” e detenções sem suspeita razoável — contra quem exerce o direito fundamental de protestar. A decisão não é um favor, mas uma resposta tardia ao rastro de sangue deixado pela morte de Renee Good, baleada por um agente em janeiro, transformando Minneapolis em um laboratório da resistência civil.

A morte de Renee Good não foi um incidente isolado, mas o subproduto de uma política que desumaniza o imigrante e o observador para consolidar um estado de vigilância permanente. Ao proibir prisões arbitrárias e o uso de força letal ou “menos letal” contra manifestantes pacíficos, a juíza Menendez recorda ao Executivo que a Constituição americana, embora ferida pela retórica de Donald Trump, ainda respira no papel. Contudo, o limite geográfico da decisão — restrita apenas a Minneapolis e St. Paul — revela a fragilidade do sistema: a poucos quilômetros dali, a barbárie federal continua a operar sem amarras, provando que a dignidade humana no império tornou-se uma questão de jurisdição local.

O protocolo do pânico e o limite do gás lacrimogêneo

O veto ao uso de gás lacrimogêneo e táticas de cerco contra observadores é um golpe direto no modus operandi dos agentes federais, que aprenderam a tratar jornalistas e defensores de direitos humanos como alvos militares. A liminar atende a uma ação movida contra o DHS, expondo que o governo de Washington utiliza a proteção de fronteiras como pretexto para uma repressão doméstica que ignora os direitos civis mais básicos. É a face interna do imperialismo: a mesma força que Trump quer projetar na Groenlândia ou em Gaza é utilizada para esmagar o protesto de quem chora por uma vida perdida em solo americano.

Tática ProibidaJustificativa do DHS (Trump)Fundamento da Juíza Menendez
Gás Lacrimogêneo“Controle de ordem pública”Uso indiscriminado viola o direito de reunião.
Detenção sem Suspeita“Prevenção de terrorismo/imigração”Prisão arbitrária sem causa provável é inconstitucional.
Munições de Impacto“Proteção de agentes federais”Força excessiva contra pacíficos causou a morte de Renee Good.
Ataque a Observadores“Impedimento de obstrução”Observadores e imprensa são protegidos pela Primeira Emenda.

A resistência de Minnesota ecoa o que Roger Waters denunciou sobre a falência da democracia americana: um sistema onde a justiça precisa ser conquistada através de liminares contra o próprio Estado que deveria proteger o cidadão. Enquanto o governo federal recorre e tenta derrubar a decisão, alegando que o “Domo de Segurança” de Trump não pode ser limitado por juízes locais, a decisão de Menendez serve como um lembrete incômodo: nem todo o orçamento militar do mundo pode, legalmente, silenciar o luto de uma comunidade que se recusa a ser asfixiada em silêncio.

Foram citados nesta notícia: Kate Menendez, Renee Good, Departamento de Segurança Interna, Donald Trump, Reuters, NBC News.

Esporte Clube Originários e Ceres fecham acordo e time 100% indígena disputa Campeonato Carioca da Série C

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Em um momento histórico, foi celebrado na tarde desta sexta-feira (16) na sede do Instituto Terra do Saber, em Itaipuaçu, distrito de Maricá, o convênio entre o Esporte Clube Originários, time de futebol formado 100% por atletas indígenas, e o Ceres Futebol Clube, para a disputa do Campeonato Carioca da Série C.

Esporte Clube Originários e Ceres fecham acordo e time 100% indígena disputa Campeonato Carioca da Série C
Divulgação

O planejamento inclui treinos regulares, alojamento para atletas, sendo que cerca de 80% do elenco deve ser formado por jogadores de fora do estado do Rio de Janeiro, além de alimentação e acompanhamento contínuo. Os jogos serão em Maricá e em Bangu.

Esporte Clube Originários e Ceres fecham acordo e time 100% indígena disputa Campeonato Carioca da Série C
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Estiveram presentes na assinatura do contrato o presidente do Originários, Tupã Darci Nunes, o presidente do Ceres, Winston Soares, o presidente do Instituto Terra do Saber, que firmou convênio para ajudar administrativamente o clube, Anderson Terra, e demais membros das duas equipes.
Para o Tupã Darci Nunes, o momento é de celebração, trabalho e de realização de um sonho.

Esporte Clube Originários e Ceres fecham acordo e time 100% indígena disputa Campeonato Carioca da Série C
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“É a realização de um grande sonho. A oportunidade do indígena ter voz, ter representatividade no esporte. Acreditamos muito neste projeto, nesses guerreiros que vem para ajudar o clube, pensando lá na frente que poderemos ter um indígena jogando em grandes clubes. Isso é um sonho de milhares de indígenas que tem esse desejo e não tinha oportunidade e o povo indígena ama futebol. Nossos jogadores irão carregar a ancestralidade de mais de 300 povos e vão fazer a diferença”, celebrou Tupã.

O Ártico não está à venda: Macron lidera o “não” europeu ao leilão de Trump pela Groenlândia

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A diplomacia do “quem dá mais” de Donald Trump encontrou uma barreira de gelo no Eliseu. Neste sábado, Emmanuel Macron não apenas rejeitou as ameaças de sobretaxar produtos europeus em até 25%, como elevou a aposta ao reafirmar que a soberania da Groenlândia é um pilar inegociável da segurança continental.

Para Macron, a tentativa de Trump de condicionar o comércio internacional à anexação de um território soberano é um “anacronismo colonial” que não encontra lugar no século XXI. “Nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará — nem na Ucrânia, nem na Groenlândia”, disparou o líder francês, deixando claro que a Europa não pretende ser o quintal de luxo das excentricidades imobiliárias da Casa Branca.

A retaliação americana, que visa atingir nações como França, Alemanha, Suécia e Reino Unido, é a resposta irascível de Trump ao movimento militar batizado de Arctic Endurance. Esta coalizão europeia, liderada pela Dinamarca, já conta com botas francesas e alemãs no solo ártico, uma presença que Washington interpreta como um desafio direto ao seu “Domo de Ouro” — o escudo antimísseis que Trump quer construir sobre a ilha. O que para os EUA é “segurança nacional”, para Macron é uma violação do direito internacional que exige uma resposta unificada. A Comissão Europeia já discute o congelamento de acordos comerciais com os americanos, provando que, se Trump quer uma guerra de tarifas, a Europa está pronta para fornecer o campo de batalha.

O gelo como trincheira e a farsa do “Domo de Ouro”

A obsessão de Trump pela Groenlândia, sob o pretexto de impedir o avanço de Rússia e China, soa para os europeus como uma desculpa esfarrapada para o controle de recursos minerais e rotas marítimas estratégicas. Ao ameaçar com tarifas de 10% já em fevereiro, subindo para 25% em julho, Trump tenta usar o estômago dos consumidores europeus para dobrar a vontade de Copenhague. No entanto, o efeito tem sido o oposto: a união em torno da Dinamarca fortaleceu o eixo Paris-Berlim. Macron, em coordenação com António Costa, presidente do Conselho Europeu, sinaliza que a independência das nações é a “linha vermelha” que os Estados Unidos não conseguirão cruzar com canetadas tarifárias.

Enquanto Javier Milei se apressa em oferecer a Argentina como sócia menor nos novos conselhos de Trump, a Europa de Macron prefere o caminho da resistência soberana. O envio de meios navais e aéreos franceses para a Groenlândia não é apenas um exercício militar; é um recado geopolítico: o Ártico não é uma mercadoria e a OTAN não é um balcão de negócios imobiliários. A ironia reside no fato de que, enquanto Trump acusa a Europa de “viver às custas dos EUA”, ele tenta cobrar o aluguel do mundo através de sanções que ignoram tratados de séculos.

A anatomia da chantagem e a resposta do bloco

  • A Ameaça: Tarifas progressivas (10% a 25%) contra quem se opuser à compra da Groenlândia.
  • O Argumento de Trump: “Paz mundial” e defesa contra a influência sino-russa; a ilha como peça do Domo de Ouro.
  • A Resposta de Macron: Envio de militares (Arctic Endurance) e articulação de retaliação comercial conjunta da UE.
  • O Fator Soberania: Dinamarca e Groenlândia reiteram que o território “não está à venda”.

Do acordo Mercosul ao isolamento de Washington

É sintomático que Macron tenha reagido com tal firmeza no mesmo dia em que o acordo entre Mercosul e União Europeia foi assinado. Enquanto a Europa se abre para o Sul Global para reduzir sua dependência de parceiros instáveis, os Estados Unidos de Trump se fecham em um protecionismo agressivo e coercitivo. O contraste entre o aperto de mão de Santiago Peña e os aplausos a Lula em Assunção, frente à paralisia de Milei e aos gritos tarifários de Trump, desenha um novo mapa-múndi onde a racionalidade diplomática fala português e francês, enquanto o rancor e a ganância falam inglês e se isolam na Flórida.

Abaixo, a escalada das tensões que colocam o comércio transatlântico em rota de colisão.

Ação dos EUA (Trump)Reação da União Europeia (Macron/Costa)Impacto Geopolítico
Tarifa de 10% (01/02)Suspensão de negociações comerciais e reciprocidade.Início da guerra comercial aberta.
Tarifa de 25% (01/07)Bloqueio de produtos americanos de alta tecnologia.Ruptura das cadeias de suprimento da OTAN.
Exigência de AnexaçãoOperação Arctic Endurance (tropas no solo).Militarização inédita do Ártico por aliados.
Chantagem “Paz ou Taxa”Denúncia na ONU e defesa da soberania dinamarquesa.Isolamento diplomático total de Washington no G7.

Macron sabe que ceder agora à “intimidación” — como ele mesmo definiu — seria o fim da União Europeia como projeto de poder autônomo. O presidente francês joga para a história, posicionando-se como o defensor da Carta das Nações Unidas contra o “atropelo” de um império que confunde aliados com vassalos. Se o gelo da Groenlândia é o que Trump deseja, ele encontrará uma Europa fria e calculista, disposta a pagar o preço da guerra tarifária para não ter que vender o que resta da sua dignidade soberana ao primeiro bilionário que bater à porta.

Foram citados nesta notícia: Emmanuel Macron, Donald Trump, António Costa, Lars Løkke Rasmussen, J.D. Vance, Marco Rubio, Dinamarca, Groenlândia, União Europeia, OTAN.

Roger Waters desmascara o Regime Trump: “Os Estados Unidos não são uma democracia. Você pode comprar a presidência”

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A voz de Roger Waters sempre foi o pesadelo dos que tentam embalar a opressão em papel de presente democrático. Recentemente, o músico britânico, que transformou palcos em tribunais geopolíticos, deu nome ao que muitos analistas convencionais insistem em ignorar sob o manto do pragmatismo: os Estados Unidos deixaram de ser uma democracia para se tornarem um leilão de cargos. Waters foi cirúrgico ao afirmar que “você pode comprar a presidência”, sintetizando a erosão de um sistema onde o voto popular é frequentemente atropelado pelo peso do dólar e pelo financiamento de grupos de interesse.

O músico não se limitou ao conceito abstrato. Ele apontou o dedo para Donald Trump, afirmando que a ascensão ao poder foi pavimentada pelo dinheiro do AIPAC (American Israel Public Affairs Committee), pela fortuna de oligarcas e pelo volume astronômico de doadores corporativos. Waters ressaltou que “o fato de ser permitido despejar milhões e milhões na política torna impossível que ela seja democrática”. Para o artista, a política em Washington não é decidida em urnas, mas em fundos de investimento e reuniões a portas fechadas no Capitólio. A análise de Waters não é apenas estética; é uma constatação de quem observa o império financiar o massacre em Gaza enquanto vende internamente a ilusão de liberdade para uma classe trabalhadora cada vez mais endividada.

O “Conselho da Paz” e a validação da tese de Waters

A recente movimentação de Donald Trump, ao exigir US$ 1 bilhão por um assento em seu conselho internacional, é a prova material da denúncia de Waters. Se a paz mundial tem um preço de etiqueta, a presidência da maior potência do planeta não passaria de um item de catálogo para bilionários e lobistas da região Ásia-Pacífico e do Oriente Médio. O músico, que já havia denunciado o fascismo de Jair Bolsonaro e o intervencionismo imperial, vê agora o sistema americano expor suas vísceras: um modelo onde o direito internacional é substituído pelo estatuto de um clube de investidores, financiado por quem pode “despejar milhões” para moldar a narrativa global.

A anatomia da plutocracia segundo Waters

  • A Compra do Poder: O sistema de financiamento de campanha transformou candidatos em representantes de interesses do AIPAC e de oligarcas.
  • O Mito da Democracia: Para Waters, as instituições servem para legitimar a agressão imperialista sob uma falsa fachada de justiça.
  • O Papel do Dinheiro: Como em sua obra Animals, o músico vê os “porcos” no topo da pirâmide decidindo o destino das “ovelhas” através do controle do capital.

A seletividade democrática e o fantasma da Venezuela

A ironia final do sistema americano, conforme sugerido pela crítica de Waters, reside na audácia de Washington em questionar a validade das eleições na Venezuela enquanto o seu próprio processo é refém do capital privado. O império que permite a “compra da presidência” por oligarcas e lobbies estrangeiros é o mesmo que aplica sanções e tenta deslegitimar pleitos alheios sob o pretexto de defesa da democracia. Para Waters, essa seletividade é a ferramenta máxima do imperialismo: exigir transparência dos vizinhos enquanto asfixia a própria representatividade interna com montanhas de dinheiro que inviabilizam qualquer alternativa popular.

O silêncio ou a irritação da imprensa hegemônica diante das falas de Waters apenas confirmam sua precisão. Onde o sistema vê um artista “polêmico”, o povo vê um tradutor da verdade. A presidência dos Estados Unidos, ao que tudo indica, não se conquista apenas com propostas, mas com a capacidade de satisfazer os algoritmos do capital. Roger Waters, com a autoridade de quem escreveu o roteiro da alienação moderna, apenas acendeu a luz para mostrar que o imperador não apenas está nu, como também está à venda pelo maior lance na prateleira das corporações.

Foram citados nesta notícia: Roger Waters, Donald Trump, AIPAC, Ásia-Pacífico, Venezuela, Casa Branca, Itamaraty, ONU.

Estilo milícia do Rio de Janeiro: Trump quer US$ 1 bilhão por assento permanente em Conselho da Paz

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A diplomacia de negócios de Donald Trump atingiu seu ápice de audácia mercantilista. Segundo o rascunho do estatuto do recém-anunciado Conselho da Paz (Board of Peace), obtido pela Bloomberg, o governo americano não busca apenas parceiros diplomáticos, mas acionistas de uma nova ordem paralela às Nações Unidas.

O documento estabelece uma taxa de ingresso nada sutil: países que desejarem um assento permanente e imune à renovação trienal devem depositar, no primeiro ano, a “bagatela” de US$ 1 bilhão em recursos diretos. É a transmutação do estadismo em um condomínio de luxo geopolítico, onde a paz não é conquistada pela história, mas arrematada em um pregão na Casa Branca.

Trump, que se autointitula o primeiro presidente vitalício do conselho, desenhou uma estrutura onde a democracia é apenas um adereço de vitrine. Embora o texto fale em maioria simples e direito a voto, o parágrafo decisivo reserva a Trump o poder de aprovar ou vetar qualquer decisão final. Na prática, o Conselho da Paz funciona como uma extensão do patrimônio estratégico de Washington, onde líderes como Javier Milei e Mark Carney já se apressam em garantir suas cadeiras, enquanto nações europeias articulam uma resistência contra o que classificam como uma privatização do direito internacional.

O estatuto do dono e a exclusão dos palestinos

O documento confere a Trump poderes que fariam os monarcas absolutistas corarem. Ele define o selo, o local das reuniões e possui a prerrogativa de remover membros — a menos que dois terços dos integrantes consigam exercer um veto improvável. No entanto, o detalhe mais sibilino é a exclusão sistemática dos palestinos do núcleo de decisão, substituídos por um comitê executivo de figuras controversas como Tony Blair e Jared Kushner. O Conselho não se propõe a ser um fórum de debate, mas uma “Administração de Transição” que, sob o manto da reconstrução, pode operar como uma gerência imobiliária de alto risco sobre os escombros de Gaza.

A reação de Benjamin Netanyahu, que classificou a iniciativa como uma afronta à coordenação com Israel, expõe a fragilidade de um plano que ignora os atores locais em favor de um espetáculo de liderança global. Netanyahu, que viu o “Gaza Executive Board” ser anunciado sem seu aval, sente o cheiro de um protetorado americano que pode atropelar a política externa israelense. Para o primeiro-ministro, a inclusão de nomes como o turco Hakan Fidan é o veneno em uma taça que Trump tenta forçar o Oriente Médio a beber.

A hierarquia financeira da paz trumpista

  • Assento Permanente: Reservado aos “grandes doadores” de US$ 1 bilhão. Estabilidade garantida pela carteira, não pela diplomacia.
  • Assento Rotativo: Mandatos de três anos sob o crivo de renovação de Trump. Uma coleira diplomática renovável conforme o alinhamento.
  • Poder de Veto Individual: Exclusivo do presidente do conselho (Donald Trump), sobrepondo-se à vontade da maioria.
  • Remoção de Membros: Uma prerrogativa de Trump que exige resistência quase impossível dos demais para ser barrada.

A rival da ONU e o risco de isolamento

Ao exigir aportes bilionários para a “estabilização”, Trump sinaliza que a reconstrução de Gaza será o maior empreendimento de parceria público-privada da história. A proposta é uma afronta direta à ONU, instituição que Trump sempre tratou como um clube de debates inútil e caro. Ao criar uma estrutura onde ele decide quem entra e quem sai com base no aporte financeiro, ele retira a discussão humanitária do campo dos direitos e a coloca no campo dos ativos. O Conselho da Paz não quer salvar vidas; ele quer gerir o passivo de uma guerra que agora tem dono e preço de entrada.

Lula, convidado para este leilão de assentos, enfrenta o dilema de legitimar um órgão que ignora a autodeterminação dos povos em troca de uma vaga em uma mesa onde o baralho já está marcado. Enquanto Milei agradece com a euforia de quem foi convidado para uma festa de gala, o Brasil observa o rascunho com a cautela de quem sabe que US$ 1 bilhão é um preço alto demais para vender a própria independência diplomática. A paz de Trump, embalada em papel-moeda, pode ser o início de um novo tipo de conflito: aquele onde a justiça só é feita para quem consegue pagar o boleto da permanência.

Abaixo, os custos e as condições que transformam a paz em um produto de prateleira para as potências.

Tipo de MembroCusto de EntradaPoder de VotoEstabilidade do Assento
Fundador Bilionário> US$ 1 BilhãoSim (Sujeito a veto de Trump)Permanente (Vitalício no 1º ano)
Membro ConvidadoA definir / PolíticoSim (Sujeito a veto de Trump)3 anos (Renovação discricionária)
Conselho ExecutivoNomeação DiretaNão (Apenas consultivo)Enquanto durar a confiança de Trump
Nações Afetadas (Gaza)Excluídas do núcleoNenhumSob intervenção do Conselho

O que estamos presenciando não é o fim da guerra, mas a sua reorganização sob o comando de um CEO que vê o mundo como um conjunto de propriedades em disputa. Se o estatuto for ratificado por três países, o Conselho da Paz de Trump passará a existir formalmente, criando um precedente perigoso onde o direito internacional se torna uma commodity. A paz “duradoura” prometida no texto parece durar apenas enquanto o cheque dos membros compensar no banco de Washington.

Foram citados nesta notícia: Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Tony Blair, Jared Kushner, Marco Rubio, Steve Witkoff, Javier Milei, Santiago Peña, Mark Carney, Bloomberg News.

Lula adota cautela após convite para integrar “Conselho da Paz” de Trump em Gaza

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A política externa brasileira, hoje regida por uma erudição que substituiu o amadorismo ideológico do passado, enfrenta mais um teste de nervos no tabuleiro do Oriente Médio. Donald Trump, no auge de seu estilo “showman” internacional, formalizou o convite para que Luiz Inácio Lula da Silva integre o recém-criado Conselho da Paz para a Faixa de Gaza.

No entanto, o que para Javier Milei foi motivo de celebração imediata e gratidão messiânica, para o Palácio do Planalto é matéria de uma análise gélida e calculada. Lula não tem pressa. Auxiliares próximos confirmam que a resposta será pautada pela cautela, evitando que o Brasil se torne um mero figurante em um projeto de reconstrução que, para muitos diplomatas, possui mais interesse imobiliário e geopolítico do que humanitário.

O Conselho da Paz de Trump nasce sob a sombra da controvérsia. Embora se apresente como o órgão que supervisionará a transição política e a governança pós-cessar-fogo, a ausência de representantes palestinos no núcleo decisório é um vácuo que grita aos olhos da tradição diplomática brasileira.

O Brasil, historicamente defensor da solução de dois estados e do direito internacional, vê com desconfiança uma iniciativa que parece mais um “protetorado” americano do que um esforço multilateral genuíno. Além disso, a presença de figuras como o secretário de Estado Marco Rubio e o ex-primeiro-ministro Tony Blair — este último ainda carregando o estigma da invasão do Iraque — levanta dúvidas sobre a legitimidade moral do grupo.

O pragmatismo de Lula vs. a euforia de Milei

A pressa de Javier Milei em aceitar o convite — declarando ser uma “honra” estar ao lado dos que lutam contra o terrorismo — apenas ressalta o isolamento diplomático de quem prefere o alinhamento cego à soberania estratégica.

Lula, por outro lado, entende que integrar um conselho presidido por Trump exige garantias de que o Brasil não será usado para validar uma agenda de ocupação disfarçada de paz. O presidente brasileiro, que já criticou duramente o massacre em Gaza, sabe que qualquer passo em falso pode comprometer décadas de neutralidade ativa e respeito junto ao mundo árabe.

Líder ConvidadoReação ao ConviteAlinhamento Ideológico
Javier Milei (Argentina)Aceitou imediatamente.Alinhamento total e submisso ao trumpismo.
Santiago Peña (Paraguai)Aceitou “com orgulho”.Pragmatismo regional focado em Washington.
Luiz Inácio Lula da SilvaCautela e análise na próxima semana.Multilateralismo soberano e defesa da Palestina.
Recep Tayyip Erdogan (Turquia)Silêncio estratégico até o momento.Defensor dos interesses muçulmanos na região.
Abdel Fattah al-Sisi (Egito)Sem manifestação oficial imediata.Papel de mediador direto na fronteira de Rafah.

A desconfiança no Itamaraty não é gratuita. O plano de Trump prevê a desmilitarização completa do Hamas e uma governança tecnocrata, mas falha em estabelecer um cronograma claro para a retirada total das tropas israelenses. Para o Brasil, aceitar o convite sem essas garantias seria o equivalente a assinar um cheque em branco para uma “paz dos cemitérios”. Lula prefere o silêncio estratégico, lembrando que a legitimidade de um processo de paz não se mede pela quantidade de líderes aplaudindo em Washington, mas pela velocidade com que a ajuda humanitária chega aos escombros e a dignidade retorna ao povo palestino.

O tabuleiro de 2026 e os riscos da adesão

  • Legitimidade vs. Protagonismo: O Brasil quer ser mediador, não coadjuvante de um plano que exclui o povo que pretende governar.
  • Histórico vs. Oportunismo: A posição brasileira é a de 1947 e da ONU; a de Trump parece ser a da conveniência eleitoral e geopolítica de curto prazo.
  • Riscos Sensíveis: Uma adesão precipitada pode isolar o Brasil em fóruns como o BRICS+, onde a questão palestina é central.

A composição do Conselho, que inclui nomes como Jared Kushner e bilionários americanos, reforça a tese de que o plano pode ser, na verdade, uma grande operação de “real estate” no Mediterrâneo, como alguns analistas ironizam. Lula, que já demonstrou ser o “gigante ausente” capaz de pautar discussões globais sem estar na sala, utilizará a próxima semana para consultar aliados e medir o pulso da ONU. Onde Trump vê um “conselho lendário”, Lula vê um campo minado onde a ética e a soberania nacional são os únicos equipamentos de proteção individual válidos.

O Diário Carioca compreende que a cautela de Lula é a única resposta digna de um estadista. Diferente do golpista Jair Bolsonaro, que se prestava ao papel de papagaio de pirata em eventos internacionais, Lula recuperou a capacidade brasileira de dizer “não” ou “vamos analisar”. O destino de Gaza é sério demais para ser tratado como um reality show diplomático. O convite de Trump é um gesto de reconhecimento à importância do Brasil, mas a aceitação dependerá de a paz proposta ser, de fato, a paz dos vivos e dos livres, e não o silêncio imposto por tarifas e canhões.

O silêncio da inveja: Lula é aclamado no Mercosul sob o olhar invejoso e sombrio de Milei

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A diplomacia tem dessas ironias que apenas o tempo e a estatura política são capazes de desenhar. Neste sábado, o Gran Teatro José Asunción Flores, em Assunção, não foi apenas o palco da assinatura do histórico acordo entre o Mercosul e a União Europeia; foi o cenário da consagração de uma liderança que nem precisou estar presente para ser sentida. Enquanto o presidente paraguaio Santiago Peña discursava, o nome de Luiz Inácio Lula da Silva ecoou como o verdadeiro arquiteto da integração. O auditório, em um movimento orgânico de reverência, levantou-se em aplausos prolongados, reconhecendo no líder brasileiro o capital político que destravou 26 anos de inércia.

Contudo, a harmonia internacional encontrou um ponto de dissonância quase caricato. No centro da mesa, Javier Milei, o presidente argentino que flerta com o anacronismo, ofereceu ao mundo um espetáculo de mesquinharia. Enquanto autoridades do quilate de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, do Conselho Europeu, aplaudiam de pé a importância de Lula, Milei permaneceu petrificado. De mãos apoiadas sobre a mesa, o mandatário argentino escolheu o isolamento da cadeira para demonstrar que seu dogmatismo ideológico é maior que o decoro republicano.

O contraste não poderia ser mais didático. De um lado, o multilateralismo pragmático de Lula, representado pelo chanceler Mauro Vieira; do outro, o rancor de quem ainda não compreendeu que o comércio internacional não se faz com gritos de rede social, mas com a construção de confiança. Santiago Peña, um anfitrião perspicaz, não hesitou em citar Lula como a peça decisiva para que a maior área de livre comércio do mundo saísse do papel. Cada menção ao brasileiro era um novo golpe na liturgia isolacionista que Milei tenta, sem sucesso, exportar para o bloco.

O abismo entre o estadismo e o ressentimento

  • Reconhecimento vs. Negação: A Europa e o Paraguai se curvam ao papel de Lula; Milei prefere a paralisia, ignorando que a Argentina depende desse acordo tanto quanto seus vizinhos.
  • Presença Simbólica vs. Ausência Política: Lula, de Brasília, governa a narrativa internacional; Milei, em Assunção, reduz-se à condição de espectador ranzinza.
  • União vs. Fragmentação: O aplauso de pé simboliza o desejo de um continente integrado; o silêncio de Milei é o último suspiro de um projeto que tenta fragmentar o que a história uniu.

A imprensa argentina, liderada pelo Clarín, não tardou a destacar o descompasso. Milei, que já tentou emular a estética agressiva do golpista Jair Bolsonaro, parece herdar do brasileiro também a incapacidade de conviver com o brilho alheio. O golpista brasileiro, hoje recolhido à mediocridade do seu destino jurídico, também via na diplomacia um campo de batalha para ofensas pessoais. Milei repete o roteiro, esquecendo-se de que, na mesa da ONU e no Parlamento Europeu, o que vale é a capacidade de gerar prosperidade, não a habilidade de sustentar birras ideológicas em eventos oficiais.

Abaixo, os protagonistas e os pesos políticos que definiram o clima da cerimônia em Assunção.

Autoridade PresenteReação à Menção de LulaSignificado Diplomático
Santiago Peña (Paraguai)Liderou os elogios decisivos.Afirmação do Paraguai como aliado estratégico do Brasil.
Ursula von der Leyen (UE)Aplaudia de pé com entusiasmo.Selo de aprovação da Europa à liderança de Lula no clima e comércio.
António Costa (Conselho Europeu)Acompanhou a ovação.Fortalecimento do eixo luso-brasileiro na condução do pacto.
Javier Milei (Argentina)Permaneceu sentado e imóvel.Isolamento diplomático e desgaste da imagem argentina no bloco.

A ausência de Lula na cerimônia foi, paradoxalmente, sua maior demonstração de força. Ele permitiu que o reconhecimento fosse genuíno e partisse de seus pares, sem a necessidade da autoexaltação comum aos tiranetes de ocasião. O Brasil, sob Lula, não precisa mendigar aplausos; eles surgem naturalmente como subproduto de um Itamaraty que voltou a falar a língua da razão. Milei, ao recusar-se a levantar, apenas confirmou que sua estatura política é inversamente proporcional à magnitude do acordo que ele mesmo assinou.

O Diário Carioca observa que a história é feita por aqueles que constroem, não por aqueles que apenas ocupam cadeiras. O aplauso a Lula em Assunção é o som de uma América Latina que deseja o futuro, enquanto o silêncio de Milei é o eco de um passado que a região luta para superar. O acordo Mercosul-UE é a vitória do diálogo sobre o grito, e o fato de Lula ser o maestro desse processo, mesmo à distância, é a prova definitiva de que o Brasil recuperou sua dignidade soberana perante o mundo.

Foram citados nesta notícia: Luiz Inácio Lula da Silva, Javier Milei, Santiago Peña, Ursula von der Leyen, António Costa, Mauro Vieira, Comissão Europeia, Conselho Europeu, Mercosul, Itamaraty.

Tarcísio é denunciado a PGR por publicidade eleitoral disfarçada de fofoca

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O Partido dos Trabalhadores decidiu puxar o fio invisível que liga o poder ao verniz da espontaneidade digital. No sábado, levou à Procuradoria-Geral da República um conjunto de indícios que, reunidos, formam um retrato conhecido das democracias cansadas: governos que terceirizam o aplauso e o vendem como acaso.

O personagem central é Tarcísio de Freitas, engenheiro de formação, ex-ministro de Jair Bolsonaro, o golpista, e atual governador de São Paulo, apresentado ao público como gestor técnico enquanto aprende a gramática do marketing político.

A denúncia nasce de uma reportagem da revista piauí, publicação que prefere bisturi a megafone. Ali se descreve um circuito financeiro em que agências de comunicação remuneram influenciadores para elogiar políticas públicas em páginas dedicadas ao riso fácil, à fofoca e ao escândalo doméstico. A pedagogia cívica cede lugar à piada patrocinada, e o Estado aparece de bermuda, sorrindo para a câmera como se tivesse sido convidado por acaso.

Tarcísio não é um neófito. Formado pelo Instituto Militar de Engenharia, com passagem pela burocracia federal e pela Esplanada dos Ministérios no governo Bolsonaro, construiu sua imagem como administrador austero. Em São Paulo, governa o maior orçamento do país, controla obras bilionárias e se move como presidenciável em aquecimento. Nada disso combina com o tom despojado de perfis que vivem de memes, o que torna o enredo mais interessante que a negação oficial.

Quando a política veste fantasia?

Os conteúdos celebravam inaugurações do Rodoanel Norte, reduções de IPVA para motociclistas, embates retóricos com a Enel e campanhas contra o feminicídio. Temas sérios, caros à administração pública, subitamente embalados como entretenimento leve. O contraste é didático: páginas acostumadas a celebridades relâmpago passaram a falar de infraestrutura viária e política tarifária com entusiasmo juvenil.

Espontaneidade custa caro quando precisa ser combinada. O PT sustenta que não houve epifania editorial, mas financiamento ainda nebuloso. O calendário ajuda a entender a pressa: 2026 ronda os gabinetes, e o abuso de poder econômico não costuma se anunciar com fanfarra, mas com contratos discretos.

Política pública como dever constitucional
Publicidade disfarçada como estratégia eleitoral
Transparência administrativa como princípio
Opacidade financeira como método
Cidadão como destinatário
Seguidor como alvo

Quem paga pelo aplauso?

A notícia de fato pede mais que curiosidade jurídica. Quer nomes, fluxos de recursos, responsabilidades. Improbidade administrativa não é figura abstrata; é a erosão cotidiana da confiança. O partido solicita que a PGR identifique os responsáveis e desestimule a repetição do expediente, antes que o processo eleitoral seja convertido em concurso de popularidade terceirizada.

O governo paulista respondeu com negativa categórica. Afirma não ter contratado influenciadores nem perfis de fofoca, jura fidelidade às campanhas institucionais e invoca os princípios constitucionais como quem recita um credo. Legalidade, impessoalidade e publicidade surgem na nota como escudos retóricos, embora não expliquem por que a narrativa governamental encontrou abrigo tão confortável em ambientes alheios ao debate público.

Governador
Obra pública
Linguagem utilizada
Ambiente de divulgação
Interesse declarado
Risco institucional

Tarcísio de Freitas
Rodoanel Norte
Tom informal
Perfis de fofoca
Gestão administrativa
Desequilíbrio eleitoral

A cena não é inédita. Governos aprenderam que o eleitor cansado prefere ser entretido a ser convencido. A novidade está na ousadia: transformar páginas de banalidades em vitrines de políticas públicas, apostando que a informalidade dissolve a responsabilidade. O PT, ao provocar a PGR, recoloca a pergunta essencial: quem vigia a fronteira entre comunicação institucional e propaganda antecipada?

No fundo, trata-se menos de Tarcísio e mais do método. O golpista Jair Bolsonaro ensinou que a política pode sobreviver à verdade se dominar o fluxo da atenção. Seus herdeiros testam versões mais polidas do mesmo experimento. A democracia, por sua vez, depende de algo menos glamouroso: regras cumpridas sem filtros de Instagram.

Se a apuração avançar, o país talvez descubra que o riso patrocinado também vota. Se não, restará a lição amarga de que a fofoca, quando financiada pelo poder, deixa de ser inofensiva e passa a governar.

Horóscopo do dia 18/1

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Horóscopo: O cosmos não é um território de gentilezas gratuitas, mas um tribunal de frequências onde cada signo deve prestar contas ao seu regente. Neste domingo, 18 de janeiro de 2026, o firmamento desenha um mapa de introspecção e vigilância.

Saturno, o senhor do tempo e das lições amargas, exige que o silêncio seja o escudo dos fortes, enquanto Júpiter e Vênus oferecem janelas estreitas de oportunidade para aqueles que possuem a astúcia de enxergar além da névoa cotidiana.

Não se trata apenas de prever o futuro, mas de moldar a realidade através do domínio das pulsões internas.

Para os arianos, o chamado é para a integração das sombras. Marte, o regente de Áries, costuma empurrar para a ação cega, mas o alinhamento entre 14h e 16h sugere que a precisão cirúrgica será mais eficaz que o ímpeto bruto.

Já os taurinos, filhos da terra e da estabilidade, devem se atentar ao instinto que grita nos detalhes. O momento de clareza surge às 14h20, um slot temporal onde a tensão se dissolve para quem não se deixa levar pela pressa.

Horóscopo de Domingo 18 de Janeiro de 2026

Autor: Horóscopo Sideral

Áries – 21 de março a 20 de abril

Hoje, o universo te chama para prestar atenção nas sombras que você ignora no dia a dia. Portanto, escute essa voz intuitiva – entre 14h e 16h, os astros alinham tudo para decisões que mudam seu destino. Assim, com a sorte brilhando em casa, avance com astúcia e precisão na sua previsão astral de hoje…Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Áries

Touro – 21 de abril a 20 de maio

No fluxo do dia, note os detalhes que escapam à vista rápida, guiado por um instinto antigo. Evite, então, escolhas impulsivas na correria; o momento perfeito surge às 14h20, trazendo vibrações de paz que fecham ciclos. Por isso, se a tensão aparecer como névoa, transforme-a em clareza… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Touro

Gêmeos – 21 de maio a 20 de junho

O cosmos cobra objetividade, enquanto Júpiter sussurra escolhas ponderadas. Fuja da impulsividade, ouvindo com atenção para esclarecer mal-entendidos – especialmente com pessoas de temperamento instável. Assim, a sorte explode entre 16h e 18h, revelando soluções para desafios complexos… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Gêmeos

Câncer – 21 de junho a 21 de julho

Os astros te desafiam a ser flexível diante dos gatilhos diários que testam sua essência. Dessa forma, a transformação surge ao conectar-se profundamente com suas emoções, liberando irritações antigas em leveza. Então, aproveite a sorte das 9h às 11h, perfeita para previsões astrais positivas hoje… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Câncer

Leão – 22 de julho a 22 de agosto

Sob a guarda de Saturno, mantenha seus mistérios como tesouros. Evite usar os outros para desvendar o oculto, sendo prudente com bens e confiança – principalmente entre 15h e 17h, quando energias externas crescem. Por isso, a discrição é sua maior sorte nessa trilha astral. Saturno protege seus segredos… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Leão

Virgem – 23 de agosto a 22 de setembro

Se testarem sua paciência, responda com indiferença cósmica, seu escudo astral. Pois Vênus te favorece com serenidade entre 13h e 15h, evitando brigas que nublam a mente. Assim, essa atitude protege seu coração, garantindo bem-estar estável no horóscopo de hoje. Vênus traz paz interior… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Virgem

Horóscopo
Horóscopo

Libra – 23 de setembro a 22 de outubro

Ei, uma faísca de curiosidade fora da curva está te cutucando agora. Então, mergulhe nesses horizontes novos – revelações incríveis vão pipocando como tesouros surpresa. Das 10h às 12h, Mercúrio turbina sua mente analítica às escondidas, liberando uma sorte épica no horóscopo do dia… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Libra

Escorpião – 23 de outubro a 21 de novembro

Por sua vez, um conflito interno pode rolar de leve. Mas relaxa: os astros são seus aliados top para manter a vibe firme e clara, bloqueando invejas chatas. Das 9h às 11h, o pico da previsão astrológica explode em sorte horária signos, dissolvendo qualquer pepino com maestria total… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Escorpião

Sagitário – 22 de novembro a 21 de dezembro

Agora, um impulso misterioso te chama pra dançar no feeling, não na lógica dura. Enquanto isso, o dia joga favores pra curtir os detalhes e até uma reviravolta escondida. Varie o game com mudanças leves – das 12h às 14h, sua sorte horária signos atinge o ápice, revelando insights bombásticos…  Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Sagitário

Capricórnio – 22 de dezembro a 20 de janeiro

Talvez suas rotinas de sempre deem um pouco de frustração, ecoando no vácuo. Esse é o sinal das estrelas: teste táticas fora da curva e solte o controle. O bom é que das 11h às 13h, a energia cósmica ama quem se adapta rápido, trazendo crescimento insano e sorte no horóscopo diário… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Capricórnio

Aquário – 21 de janeiro a 19 de fevereiro

Conte com um dia extremamente cheio de atividades, mas organize o caos com disciplina ninja. Melhor ainda, das 11h às 14h é o slot dourado de sorte horária de você – hora de absorver conhecimentos novos e afiar a visão. Apoios surpresa surgem do nada, fluindo pros seus projetos pessoais… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Aquário

Peixes – 20 de fevereiro a 20 de março

Hoje, rotinas e a previsão pessoal evaporam, forçando buscas por caminhos um pouco diferentes quando o óbvio, falha. Das 10h às 12h, ideias malucas brotam como profecias, acelerando resultados loucos. Então, parta pra experimentação e inovação – perfeito pra atrair o que você quer… Veja aqui a previsão de amor, dinheiro e mais de Peixes